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Cristovam Buarque faz palestra sobre as Engenharias e a Educação no auditório do Crea-PE

O ex-ministro da Educação, ex-governador de Brasília (DF), ex-senador da República, Cristovam Buarque, esteve ontem, (15.05), a convite da Academia Pernambucana de Engenharia (APEENG), da qual faz parte como membro, por meio do presidente da entidade de classe, Mário de Oliveira Antonino, no auditório da sede do Conselho Regional de Engenharia e Agronomia de Pernambuco (Crea-PE), para falar sobre “As Engenharias e a Educação no Brasil”.

Anunciado pelo professor Mário Antonino, como importante membro da APEENG e filho ilustre de Pernambuco que se dedicou à vida pública com o melhor espírito de servir, o palestrante foi saudado pelo 1º vice-presidente do Conselho, Fernando Beltrão Lapenda, que falou da satisfação de receber o convidado. “É uma grande alegria pra nós do Crea, a casa da Engenharia e dos engenheiros de Pernambuco e do Brasil, receber figuras importantes como as que se encontram aqui neste auditório para abrilhantar esta iniciativa de grande importância para todos nós. Desejo um excelente evento para todos”, disse.

Da mesa diretiva fizeram parte, o convidado, Cristovam Buarque, professor Mário Antonino, 1º vice-presidente do Crea-PE, Fernando Lapenda, engenheiro José Artur Padilha, professor Leonardo Sampaio, presidente da Associação Pernambucana de Ciências Agronômicas, Mauro Carneiro dos Santos, presidente da Associação Brasileira de Mecânica dos Solos, Alexandre Gusmão e o presidente do Clube de Engenharia de Pernambuco, Alexandre Santos.

Na sua fala inicial, Cristovam disse que não falaria sobre a educação na formação da Engenharia Civil, Elétrica ou Mecânica, mas da Engenharia como forma metafórica para falar do processo de construção do Brasil.

A primeira constatação do especialista em educação foi de que, o Brasil não cria possibilidades para o ingresso de pessoas pobres nas melhores escolas de educação de base. “Se não tiver como pagar as mensalidades das escolas particulares ou se não for detentor de características muito pessoais para conseguir ser aprovado nos rigorosos processos seletivos, essa parcela da população não tem acesso ao ensino de qualidade”.

Diferentemente do futebol, que usou como exemplo, Cristovam disse que não trouxemos para as salas de aula gênios capazes de serem, no futuro, multiplicadores de conhecimentos. “No nosso País, 10 milhões de adultos não sabem a diferença entre o A e O. Temos 70 milhões de analfabetos funcionais e defendemos a educação como direito. Educação não é só direito. É necessidade de um conjunto da população, necessidade da sociedade, do País e da humanidade. Educação é, sobretudo, vetor de progresso, não apenas direito”, define o palestrante.

Ainda sobre a importância da educação de qualidade, Cristovam disse que hoje, capital é conhecimento e não somente a questão financeira. “As grandes fortunas não estão nas mãos de herdeiros. Os grandes afortunados da atualidade são pessoas que têm ideias. Para que haja progresso é necessário aliar o conhecimento ao empreendedorismo. A riqueza do futuro é de quem tem talento porque a bola é jogada para todos. Não adianta criarmos universidades sem educação de base. É absurdo encurtar a verba da educação, mas, o absurdo mais grave é o contingenciamento de estudantes. A escassez de bons estudantes nas universidades”, explicou acrescentando que “atualmente os alunos são aprovados automaticamente. Eles não são reprovados. Aproximadamente, 50% dos alunos de Engenharia deixam o curso antes de se formar. Eles desistem por constrangimento”, afirmou.

Cristovam Buarque disse ainda que a nossa dificuldade para fazer o Brasil ser o que deveria ser, está na base e usou, mais uma vez, a metáfora para explicar. “A educação fabrica os tijolos que são as pessoas educando e também fabrica a liga para juntar os tijolos e, assim está feita a educação de base”.

“Estamos num processo de colapso não só financeiro, mas, colapso de endividamento do Estado e dos indivíduos. Não estamos conseguindo ser um País de competência e de criatividade. O nosso maior problema está no colapso Educacional, do conhecimento e também não estamos conseguindo progredir na graduação e na pós-graduação”, disse.

Ideia já defendida pelo especialista, a federalização da educação foi, mais uma vez o caminho apontado por Cristovam Buarque para dar início a uma revolução no sistema educacional brasileiro. Ele afirmou que, sem o envolvimento da União no processo, será impossível acabar com as desigualdades do sistema de ensino por todo o País.

A solução apontada por Cristovam para melhorar e igualar a qualidade da educação brasileira é tratar a educação como uma questão “do Brasil” e não dos municípios e estados. A federalização sugerida por ele consiste em duas ações. A primeira é criar uma carreira nacional do magistério, adotando, por exemplo, o que já existe entre professores de escolas técnicas e colégios militares. Todos entrariam em uma carreira federal, com salário pago pelo governo federal. Esse salário seria então reajustado.

Essa carreira tem que ser adotada aos poucos, até porque não há jovens em condições de serem professores no País, mesmo a gente pagando bem. Agora, o professor não é uma entidade que se esgota nela. Cem mil professores equivalem em média a dez mil escolas, em 250 cidades, atendendo a três milhões de crianças. A gente pode fazer essa revolução imediata em 250 cidades e paulatina no Brasil inteiro – defendeu, descrevendo a segunda ação da proposta: a adesão gradativa de grupos de municípios.

Concluindo suas sugestões o palestrante abriu espaço para perguntas e respostas com os presentes.

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