:: Arte e pioneirismo presentes na obra de reforma da Basílica da Penha


De acordo com o responsável pelo projeto e execução da obra, arquiteto Jorge Tinoco, o trabalho envolve técnica pioneira para recuperação das estruturas de madeira e muita arte na hora de restaurar os metais originais.

Reunidos no auditório do Crea-PE, na quarta-feira (09.04) conselheiros e convidados ouviram atentamente a palestra feita pelo diretor geral do Centro de Estudos Avançados da Conservação Integrada (Ceci), arquiteto Jorge Eduardo Tinoco sobre a “Reforma da Basílica da Penha. Aspectos Estruturais e Arquitetônicos”. Atendendo ao convite feito pelo presidente em exercício do Conselho, arquiteto Roberto Freitas, o palestrante, responsável pelas obras da Basílica, trouxe informações detalhadas das intervenções que estão sendo feitas como forma de conter o processo de degradação do Patrimônio histórico e cultural.

Antes de iniciar sua palestra José Tinoco pediu ao arquiteto Roberto Antônio Araújo que fizesse uma apresentação sobre o levantamento histórico feito sobre as obras de construção, restaurações e manutenções realizadas ao longo dos anos no telhado da Basílica e que subsidiaram o projeto de restauração que agora está sendo executado em toda a parte superior da Basílica pela equipe do Ceci. Na apresentação, Roberto Araújo utilizou slides e documentos que traziam detalhes das intervenções. Ao final da sua participação, o pesquisador Roberto Araújo disse que muito do que encontrou escrito não corresponde aos materiais encontrados no templo.

Depois dessas constatações, Jorge Tinoco explicou que o trabalho de recuperação foi iniciado a partir do escoramento das linhas do telhado da capela-mor, que ameaçando desabar, foi considerado o ponto mais crítico de toda a igreja. Foram então iniciados os trabalhos de reparos em todo o telhado e a revisão estrutural da cúpula. Para isso, foi feita uma coberta provisória capaz de garantir que, enquanto se trabalha no inverno, o telhado fique protegido das chuvas. Na estrutura provisória, foram utilizadas chapas de aço, que além de proteger o telhado no inverno, protegerá também, caso haja, da paralisação das obras. Ele explicou que em outro monumento de Olinda, uma coberta provisória semelhante a que está sendo feita na Basílica da Penha, impediu a destruição total do telhado de uma igreja que teve suas obras paralisadas por mais de 10 anos.

Com relação ao trabalho de recuperação o arquiteto explicou: “O trabalho está sendo realizado a partir do estudo da parte de cálculo estrutural da coberta. Com isso, será possível garantir que haja uma estanqueidade no processo de degradação de uns 60 anos, desde que, a cada 10 anos seja feita uma manutenção e anualmente realizada uma vistoria”, detalhou.

Especificamente sobre o trabalho de recuperação das madeiras do forro e da coberta, Tinoco confessou que o grande desafio é encontrar no mercado madeiras com a “mesma bitola” das utilizadas na Basílica. Explicou também, que nesse trabalho está sendo desenvolvida uma técnica pioneira. “Diferentemente do que era praticado em outras obras de reforma, hoje, uma madeira que tenha sofrido a ação dos cupins não é mais totalmente condenada. Fazemos uma prótese que é fixada na parte boa da madeira, por meio de encaixe e devolvemos a função estrutural da peça”, disse.

Outro trabalho de artista segundo Jorge Tinoco, que está sendo feito na obra de reforma, é a restauração dos metais, inclusive dos pregos originais. A areia utilizada na obra, de acordo com o arquiteto tem 99% de garantia de pureza, geralmente as mesmas utilizadas pelas companhias de abastecimento para filtragem da águia. “Custa muito caro a areia utilizada, em média R$ 380 o metro cúbico, mas o investimento nos dá a tranqüilidade de sabermos que não há perigo de contaminação. Não podemos usar cimento uma vez que a obra inteira é feita de areia e cal”, explicou o especialista.

Cerca de 60 funcionários especializados em restauro de monumentos trabalham na reforma da igreja. Os serviços devem durar dois anos e o custo total das obras aprovadas pelo Ministério da Cultura através da Lei Rouanet é de R$ 4,2 milhões. O Governo do Estado, através da Fundação do Patrimônio Histórico e Artístico de Pernambuco (Fundarpe) fez repasse de recursos no valor R$ 845 mil para as obras da Igreja.

Jorge Tinoco disse ainda, que o próximo desafio da equipe de trabalho será a restauração da cúpula que pesa 50 toneladas. Depois seguem com o reparo de toda parte elétrica, em seguida da ornamentação e por fim, a restauração dos elementos artísticos do templo religioso.

No final da palestra, o presidente Roberto Freitas abriu espaço para que o reitor da Basílica da Penha, frei Luís de França Fernandes, divulgasse entre os presentes, o show que será realizado com a cantora Fafá de Belém, no dia 24 de abril, no Teatro Guararapes em comemoração aos 352 anos da Basílica e como forma de buscar mais recursos para a reforma. A iniciativa, que será patrocinada pela Fundarpe e realizada pelos Amigos da Basílica da Penha, terá renda total revertida para as obras da igreja.

Histórico - Pertencente à Ordem dos Frades Capuchinhos, a Basílica de Nossa Senhora da Penha é um monumento arquitetônico marcado pela influência neoclássica. Erguida por religiosos franceses, por volta de 1655, foi reconstruída quase cem anos depois (1730) pelos frades capuchinhos. Em 1822, ganhou a fisionomia atual. Apresenta características do 1º Período da Arquitetura Eclética, com trabalhos decorativos internos e externos em estuque, marmorino e escaiola, transformando-a em única no Nordeste com tais características.

Dilma Moura
ASC CREA PE

Publicado em 11/04/08 2:03

 

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