Momento Crea - Edição 26 - Setembro de 2007

Com foco no futuro profissional

Durante visita ao presidente do Instituto de Co-Responsabilidade pela Educação (ICE), Marcos Magalhães, no dia 03/09, o presidente do Crea-PE, Roberto Muniz, acompanhado do assessor técnico Bertrand Sampaio e da gerente pedagógica do Instituto de Qualificação (IQ), Ana Cláudia Muniz, falaram sobre o tema educação e o baixo interesse dos estudantes secundaristas em prestar vestibular para os cursos das áreas tecnológicas.

No encontro, os presidentes das duas entidades falaram sobre a possibilidade de construção de uma parceria entre o Crea-PE e o ICE, com o objetivo de difundir informações aos estudantes sobre as áreas de atuação das profissões ligadas ao Sistema Confea/Crea.

“No meu entendimento cabe aos Creas, além do desempenho das atribuições legais de regulamentação do exercício profissional, também interagir com a sociedade e se integrar a ações de responsabilidade social. Por isso queremos construir essa parceria que, a meu ver, é de grande importância para os jovens”, adiantou Muniz.

“É surpreendente a fuga dos estudantes das carreiras da área tecnológica, e isso é preocupante. Não existe crescimento econômico sem tecnologia. O Crea deve vocacionar os jovens à escolha dessas carreiras”, observou Magalhães, vendo com bons olhos a possibilidade da construção de uma parceria.

Para o assessor técnico do Crea-PE, Bertrand Sampaio, os números observados ao fazer um levantamento sobre os cursos ligados a áreas tecnológicas são preocupantes. “Só para dar um exemplo simples, 76% dos alunos que estão nas escolas de engenharia civil, nos últimos cinco anos, não conseguiram estágio”.

Pioneirismo – O surgimento do Programa de Desenvolvimento dos Centros de Ensino Experimental (Procentro) aconteceu com o projeto piloto desenvolvido em 2004, quando foi implantado no Recife o Centro de Ensino Experimental Ginásio Pernambucano. Atualmente o ICE já atende 20 mil jovens em tempo integral em 20 escolas públicas de Pernambuco, onde fazem três refeições diárias, têm material escolar gratuito e recebem, além do currículo, treinamento profissional em áreas como turismo e hotelaria.

Os professores têm remuneração determinada pelo desempenho em sala de aula. Cidades como Gravatá, Bezerros, Belo Jardim, Abreu e Lima, Cabo de Santo Agostinho, Ipojuca, Palmares, Timbaúba, Panelas, Garanhuns, Serra Talhada, Arcoverde, Petrolina, Santa Maria da Boa Vista, Araripina, além das escolas situadas no Recife, fazem parte do programa que já virou uma referência nacional.

Procentro – O Programa de Desenvolvimento dos Centros de Ensino Experimental oferece regime integral para alunos e professores. O Programa tem método e conteúdo diferenciados. As escolas dispõem de laboratórios para aulas práticas. A rede é composta por 20 centros que funcionam como pólos irradiadores das experiências desenvolvidas com êxito no ensino médio.

Alguns números da Engenharia em Pernambuco

Por Bertrand Sampaio

A engenharia brasileira agoniza em praças públicas e privadas uma crise criada por um conjunto de fatores que, ao longo dos últimos 30 anos (desde o período do milagre econômico brasileiro) vem de forma deliberada e gradual reduzindo a importância do setor no cenário econômico brasileiro a ponto de tornar-se pouco relevante ao interesse acadêmico e profissional.

Os números não deixam dúvidas quando analisamos as três principais escolas de engenharia pernambucanas. A média semestral de formandos no curso de Engenharia Civil da UFPE no período 2000.1 a 2005.2 é de 26 alunos, para uma média de entradas em torno de 60 alunos por semestre. Isto significa que menos da metade dos alunos que ingressam neste curso e faculdade não conseguem concluí-lo. No caso da UNICAP, para o mesmo curso e idêntico período, a média de concluintes coincidentemente ficou em 26 alunos, com a diferença que a média de ingressos foi de somente 28 alunos. A UPE matricula semestralmente em média 100 alunos e, deste total, somente 48 concluem o curso de engenharia civil.

Por outro lado, de acordo com o Exame Nacional de Cursos (ENC) de Engenharia Civil, edição de 2003, um significativo percentual dos graduandos (40,3% em termos do Brasil) não exerceu atividade remunerada durante o curso no ano de 2002. O percentual de alunos que não exerceram atividade remunerada no Nordeste foi um pouco maior (42,9%).

Aproximadamente 76% dos graduandos do Curso de Engenharia Civil que participaram do ENC de 2003 afirmaram não ter recebido qualquer espécie de financiamento para custeio de seus estudos. Pouco mais da metade dos graduandos, 52,2%, cursaram o ensino médio todo em escola particular e 32,4% cursaram todo em escola pública. Em todas as regiões predominaram alunos que cursaram todo o ensino médio em escolas particulares, mas o maior índice encontra-se na Região Nordeste (68,3%).

O desinteresse pela área de engenharia pode ser demonstrado tomando por base as notas médias e mínimas de entrada nos cursos das principais escolas de Pernambuco. Na UPE a nota mínima de entrada foi 525,00 no curso de engenharia civil e a nota média ficou em torno de 532,00. Na UNICAP a média foi 485,00 e a menor nota em torno de 380,00. A UFPE preocupada com a evasão de alunos nas áreas de tecnologia e geociências adotou algumas medidas para o vestibular 2008.

 

 

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