Na abertura do 3º Seminário Nacional de Acessibilidade, na quarta-feira (17/10), no Recife, o presidente do Crea-PE, Roberto Muniz, lembrou do esforço conjunto dos Creas de Pernambuco, de Minas Gerais e do Confea, que estavam marcando no Sistema uma posição de vanguarda, juntamente com o público participante. “Estamos aqui preocupados em discutir a questão da acessibilidade com uma visão clara e objetiva. Cientes das dificuldades que ainda existem e das barreiras a serem vencidas na construção de um espaço urbano mais democrático e livre”, observou Muniz.
O presidente do Confea, Marcos Túlio de Melo, expressou a sua satisfação em ver na abertura do evento a participação de 11 presidentes de Creas e fez um resgate da história da acessibilidade no Sistema: “esse processo dentro do nosso Sistema começou com você Marcelo Guimarães, quando lançou em Minas Gerais a campanha “Inacessível é Inaceitável”. A campanha evoluiu e em Pernambuco se transformou em “Fácil Acesso para Todos”, que foi incorporado pelos Creas do Brasil como uma marca do Sistema.
Túlio de Melo ainda lembrou o trabalho brilhante que o Ministério Público vem realizando para tornar o Brasil e seus espaços públicos mais acessíveis. No final do seu discurso fez uma reflexão: “Todos nós fomos crianças e ainda seremos idosos e nessas fases das nossas vidas tivemos ou teremos dificuldades de acesso. Por isso vejo a acessibilidade como uma questão de todos. Uma questão de cidadania”.
A presidente do Crea-DF e coordenadora do GT de Acessibilidade do Confea, Lélia Barbosa de Sousa Sá, trouxe dados da Organização Mundial de Saúde (OMS), onde estima-se que no Brasil existam 16 milhões de pessoas portadoras de deficiência, representando 10% da população, e que no último Censo de 2000 os números são ainda maiores: 24,5 milhões de portadores de deficiência, cerca de 14,50% da população.
“Apesar desses números, verificamos que o Brasil, após muitos anos deitado eternamente em berço esplêndido, levantou e está tomando uma atitude em relação a essa causa tão nobre. Hoje se encontra entre os cinco países mais inclusivos das Américas. Porém, ainda há muito que fazer”, observou Lélia Sá.
Ainda tiveram a palavra o diretor presidente da Agência Estadual de Meio Ambiente e Recursos Hídricos (CPRH), Hélio Gurgel, que na solenidade de abertura representava o governador do Estado de Pernambuco, Eduardo Campos, e o presidente da Mútua, Ânjelo Costa Neto. Os dois foram enfáticos ao afirmarem a importância do evento que, além de acessibilidade, abrange uma questão mais ampla; a inclusão e o alcance da plena cidadania.
Também fez parte da mesa João Maurício Rocha, presidente do Conselho Estadual de Defesa dos Direitos da Pessoa com Deficiência, e Roseane Carvalho de Freitas, conselheira titular do Conselho Nacional dos Direitos da Pessoa Portadora de Deficiência (Conade).
PALESTRA
Na abertura o palestrante foi o vice-prefeito do Recife, Luciano Siqueira, que falou sobre questões que envolvem a temática acessibilidade. Lembrou da explosão urbana e da inversão da ocupação do território nacional, que migrou do rural para o urbano.
Para Siqueira essa mudança agravou a situação das grandes cidades. “No Recife, para que vocês tenham idéia do tamanho do desafio, são 1,5 milhão de habitantes, sendo 16% com alguma deficiência e 1/4 da população vivendo em áreas de risco. Vivemos num ambiente hostil às pessoas com alguma deficiência, dada à explosão demográfica”.