Pensar as Américas discute as Políticas de Integração sob diferentes óticas

No primeiro dia de discussões do Pensar as Américas, o tema de abertura do evento foi a mesa-redonda sobre Políticas e Desafios para a Integração Pan-americana. Para o economista e professor da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), Marcos Costa Lima, não se constrói um processo de interação sem que haja reciprocidade. Elogiando o Itamaraty, disse que a grande virtude do órgão Federal é conseguir manter relações pacíficas com países vizinhos, a exemplo da Bolívia, Paraguai e Venezuela, mantendo sempre uma política respeitosa. Ressaltou ainda que há quase 100 anos o Brasil mantém relações sem conflito com os países com quem faz fronteira e que isso é resultado da construção de uma prática histórica, acrescentando, afirmou que esse exercício é o responsável por manter o Brasil numa situação de liderança que propicia a manutenção do papel influente que o País conquistou no cenário mundial.

O segundo a falar sobre os desafios da integração foi o embaixador do Haiti, Hidalbert Pierre-Jean. Pouco otimista quanto à proposta, ele disse que a integração que houve até hoje foi comercial, e acha que questões como o que fazer? E para que? precisam ser respondidas para nortear as ações do processo. Ele afirmou que é importante avaliar as necessidades de países e regiões para que a tão sonhada integração das nações não seja uma ficção e sim uma realidade latente, capaz de gerar soluções exatas para os problemas que afetam às populações. Para ele, o surgimento de novos regimes políticos ajudou o processo, mas enfatiza que, se não se trabalhar em prol de todos, alguns países americanos estarão sujeitos à pobreza e à precariedade. No caso do Haiti, por exemplo, tanto ou mais, do que antes do terremoto que devastou o país. Disse ainda que a integração pode representar mais um elemento de desigualdade. O processo deve ser global e total e, sobretudo, não reduzido a interesses ideológicos e políticos.

Terceiro convidado a falar sobre o tema, o diretor do Departamento do Mercosul, Bruno Risios Bath, representou o ministro das Relações Exteriores exaltando os benefícios advindos do tão criticado Mercosul. Para ele, a experiência é o exemplo de integração que deu certo e que trás benefícios incalculáveis uma vez que se estendem, por exemplo, à cultura, ao trabalho, ao social, à educação e exemplificou. Hoje, com os acordos firmados entre os países que fazem parte do Mercosul, é desnecessária a apresentação de passaporte para ir a qualquer país sul americano, para isso basta apresentar um documento de identificação. “É assim que se constrói uma soberania nacional . É importante que as pessoas tenham consciência de que para se chegar a esse nível, foi necessário muito tempo e muito trabalho”, afirmou Risios.

Para exemplificar outro benefício, usou o nome do professor Marcos Costa, também integrante da mesa, dizendo que, caso ele desejasse ministrar aulas em uma universidade de Buenos Aires, teria todas as facilidades garantidas pelo acordo do Mercosul, que permite livre exercício da docência em vários países . Outro exemplo: se grupos culturais de Pernambuco, quiserem fazer apresentações típicas culturais em Assunção, no Paraguai, passariam com os equipamentos pela alfândega sem nenhum tipo de problema, também amparados pelo acordo estabelecido pelo Mercosul. Trabalhadores brasileiros que exercem ou queiram exercer atividade profissional em qualquer país do grupo, também é beneficiado pelo acordo já que, o tempo de trabalho no exterior, conta como tempo de serviço para efeito de aposentadoria.

Bruno Risios disse ainda, que o agrada sempre dar exemplos da realidade que é o Mercosul, por que divulgar as benesses é uma batalha perdida. “Com relação ao assunto, a mídia trabalha sempre com uma agenda negativa”, queixou-se o palestrante, ressaltando, mais uma vez, que o acordo é um exemplo bem sucedido e que pode sim, ser mencionado sempre como concreto e irreversível, apostando em resultados ainda maiores e melhores. Por fim, lembrou que a iniciativa significa uma virada histórica que sem dúvida apresentou altos e baixos e hoje representa um veículo fundamental de estabilidade das nossas relações.

Ainda pela manhã, a segunda mesa redonda debateu as Visões Oficiais dos Governos do Países do Continente Pan-americano sobre o Desenvolvimento e a sua Integração. O evento continua até o sábado e as discussões de amanhã, iniciam a partir das 8h.

Dilma Moura

ASC do Crea-PE