Diversas teses marcam debate sobre mudanças climáticas

O primeiro painel temático da 68ª Semana Oficial da Engenharia, da Arquitetura e da Agronomia (Soeaa), que está sendo realizada em Florianópolis (SC), de ontem a sexta-feira (30/9), teve como tema as discussões sobre a Conferência Rio +20 – Pesquisa e Inovação no Enfrentamento do Aquecimento Global. Polêmico, o tema foi apresentado sob a ótica de vários pontos de vista de profissionais respeitado na área.   Na opinião do professor do Instituto Alberto Luiz Coimbra de Pós-Graduação e Pesquisa de Engenharia e assessor técnico do Fórum Brasileiro de Mudanças Climáticas, Neilton Fidelis da Silva, a elevação da temperatura da Terra e o efeito estufa são creditados a uma contribuição da atividade do homem no planeta, cujo marco inicial foi a revolução industrial, com o uso das máquinas a vapor. O aquecimento global, segundo ele, contempla múltiplas facetas, sendo o mundo completamente assimétrico nessa questão. De acordo com Neilton, 48% de toda produção de energia ficam nos 32 países membros da OCDE. “A América Latina participa dessa produção com menos de 5%. A assimetria é muito grande”, ressaltou.

Para o professor, vivemos num dilema muito grande e os engenheiros costumam creditar à tecnologia a solução para tudo. Entretanto, em sua opinião, o problema é que a sociedade segue uma lógica de consumo perdulário e não necessariamente as fontes renováveis conseguirão atender a essa demanda.
Referindo-se ao relatório do IPCC, ele disse ser importante questionar se as promessas de que as fontes renováveis resolvem tudo são reais. “Isso me preocupa um pouco”, afirmou. Segundo ele, hoje as fontes renováveis são menos de 12% no mundo e muito por conta das hidrelétricas no Brasil e no mundo. “Então, não vejo como substituir em pouco tempo uma matriz que é tão dependente de combustíveis fósseis”.
 
Sobre o custo de produção das fontes de energia renováveis, destacou que é preciso conhecer região e o seu nível de desenvolvimento. “Essa questão é um desafio. Precisamos estar sempre atentos para que não haja uma nova colonização pelo uso de tecnologia. É preciso que ela seja produzida no local”, disse. Ainda, numa crítica à ação imediatista do governo, Neilton lembrou que existe no Brasil a Política Nacional de Mudanças Climáticas, aprovada apenas às vésperas da Copenhagen. Na PNMC, informou que existem dois desafios principais: reduzir as emissões pelo uso do solo e promover o desenvolvimento socioeconômico seguindo o padrão de baixo carbono.
 
“Se aceitarmos a tese de que existe mesmo um aquecimento do planeta e que ele se deve às atividades humanas, a ideia que eu queria passar é que teremos de mudar os processos de conversão de energia e a forma de pautar o nosso pensamento”.
 
Destruir para construir?
 
Eloy Casagrande, professor da Universidade Tecnológica Federal do Paraná, trabalha com pesquisas e projetos de inovação tecnológica na construção civil. De acordo com ele, fala-se, atualmente, que 50 milhões de pessoas vão sofrer com inundações sem terem para onde ir com o problema do aquecimento global nos próximos anos.
 
Especificamente no âmbito da construção civil, ressaltou que existem vários problemas no ciclo da construção convencional: em todo ele existe poluição, emissão de gases, alto custo de manutenção e elevada quantidade de resíduos com baixo índice de reciclagem. “O volume de entulho hoje na construção civil supera qualquer volume doméstico de lixo no Brasil”.
 
Segundo ele, a madeira é o único material realmente renovável na construção civil. E, apesar de defender o seu uso, existe no Brasil um grande problema: “quase 90% da madeira é ilegal, independentemente do controle que se tenha. Mas isso não quer dizer que não podemos usar madeira legal, certificada”, disse. Assim, para ele, o principal problema das emissões está no modelo construtivo adotado como padrão. “Uma casa de interesse popular de 40m2 emite, em média, 10 toneladas de carbono”, lembrou. “Então, infelizmente, o modelo hoje é destruir para construir e temos de reverter esse processo”. Em sua avaliação, a inovação tecnológica é a única saída para sair dessa situação. Nesse sentido, Eloy lembrou as três dimensões da sustentabilidade na construção – ecológica, econômica e cultural e social – e, a partir daí, apresentou uma série de projetos ecoeficientes no Brasil e no mundo, como o “Escritório Verde” – projeto novo na Universidade do Paraná que apoia projetos sustentáveis, como a implantação do uso racional da água, o uso eficiente de energia, entre outros -, e disse: “o mercado quem faz são os profissionais e os consumidores estão aí para serem educados”.
 
Eu amo CO2!
 
Com 42 anos de experiência na área, o professor do Instituto de Ciências Atmosféricas e diretor do Departamento de Clima da Universidade Federal de Alagoas, Luiz Carlos Molion, provou que, enquanto todo mundo fala que vai haver um aquecimento global, daqui 20 anos vai haver um resfriamento global. Segundo Molion, nos últimos 10 mil anos, tivemos pelo menos quatro períodos mais quentes que hoje, por exemplo, o medieval, quando os vikings saíram e praticaram agricultura no sul da Groelândia.  Assim, afirmou: “o CO2 não controla o clima global e o que é emitido pelo homem é ínfimo”. Conforme os dados por ele apresentados, 200 bilhões de toneladas de carbono são emitidas por ano por fluxos naturais, sendo que as emissões pelo homem representam apenas 3%.
 
O professor explica que o efeito estufa nunca foi provado cientificamente e que grandes falácias circulam na mídia. Uma delas é a de que o nível do mar vai subir. “O IPCC é modesto e fala que vai subir 60cm; por sua vez, Al Gore fala que vai aumentar 6 metros”. Numa crítica direta a ele, afirma que Al Gore gastou 9 bilhões de dólares numa mansão ao nível do mar. “Quem acredita que o nível do mar vai subir seis metros gastaria tanto dinheiro numa mansão nesse local?”, contesta.
 
“Há mudanças no clima global?”, indaga. “Sim”, afirma, “mas por questões naturais”. De acordo com ele, não haverá o aquecimento global, mas o resfriamento. “Nos próximos 20 anos o sol vai estar no mínimo de atividade e o oceano vai esfriar”, disse. E isso é explicado pelos dados extraídos de cerca de 3,2 mil boias inteligentes espalhadas pelos oceanos e que, via satélite, apresentam esses números.
 
Molion lembrou ainda que eventos extremos sempre acontecem, independentemente das emissões pelo homem e particularmente em temperaturas mais baixas. “O CO2 não controla o clima. Ele não é o vilão. É o gás da vida, utilizado para a fertilização das plantas”, ressaltou. Assim, encerrou a apresentação dizendo: “Tudo que nossos colegas falaram é muito bem vindo, mas não pode ser feito com base nessas falácias. A conservação ambiental tem de ser feita independentemente do aquecimento ou do resfriamento global”. E, de forma bem humorada como em toda a exposição, concluiu com a seguinte frase: “Eu amo CO2”. Tânia Carolina Machado
Assessoria de Comunicação do Confea