Leonides Filho faz palestra sobre os 50 anos da Sudene e critica falta de capacidade de mantermos interesse do poder central pelo NE

Convidado para falar sobre os 50 anos de criação da Superintendência do Desenvolvimento do Nordeste (Sudene), no I Seminário de Integração Regional e de Cooperação Técnica entre Creas do Nordeste (SINE), realizado pelo Conselho Regional de Engenharia e Agronomia de Pernambuco (Crea-PE), sob a coordenação o presidente José Mário Cavalcanti, o ex-superintendente da autarquia, administrador Leonides Alves da Silva Filho, fez a sua palestra abordando aspectos sociais, institucionais e organizacionais que, segundo o palestrante, deram uma visão mais ampla do processo de criação até a quase extinção do órgão.

Fazendo uma leitura do que acontecia em termos políticos no Nordeste brasileiro há 50 anos, Leonides Filho, destacou as tensões sócias resultantes das grandes secas que assolavam a Região e dos movimentos sociais, passando pelas Ligas Camponesas, lideradas por Francisco Julião, e os Encontros dos Bispos dos Nordestes, como movimentos que “obrigaram“ o Poder Central a se posicionar com relação às necessidades do Nordeste, já que estava em jogo a estabilidade política e econômica do País. “Não pensem que queriam nos dar a Sudene, não. Ela foi criada para que os nordestinos não causassem problemas ao poder central que se via ameaçado pela forca dos movimentos que aqui nasciam em respostas ao sofrimento e à falta de políticas públicas para o povo nordestino”, afirmou Leonides Filho.

Rica explanação do palestrante empolgou os presentes, que o parabenizaram “pela brilhante apresentação”

De acordo com Leonides Alves Filho, no que tange às referencias institucionais e organizacionais da década de 50, quando teorias que tinham a moeda como principal instrumento de crescimento com controle liderado pela Comissão Econômica para a América Latina e o Caribe (Cepal), os principais investimentos estavam voltados para os projetos de infraestrutura, especialmente, estradas, energia e comunicação, com vistas a criar um capital social capaz de estimular investimentos produtivos, na área de desenvolvimento.

Para esclarecer melhor os fatos, o ex-superintendente fez um levantamento histórico onde abordou a criação da Companhia Hidrelétrica do São Francisco (Chefs), em 1948 e, no mesmo ano, da Comissão Econômica para a América lática (Cepal). Também fez referência à criação, em 1952, do Banco Nacional de Desenvolvimento (BNDE) e no mês seguinte, em julho do mesmo ano, da criação do Banco do Nordeste do Brasil, instituições que, de acordo com o palestrante, tinham como função contribuir e alavancar o desenvolvimento do País.

Com os movimentos econômicos e sociais surtindo efeitos, em 1956, o presidente Juscelino Kubitschek, criou o Grupo de Trabalho Para o Desenvolvimento do Nordeste (GTDN) e, em 1958, o presidente lança a Operação Panamericana onde o principal objetivo era propor uma ação racionalizadora na utilização dos recursos públicos, que acabou por influenciar a criação da Aliança para o Progresso, instituída pelo então presidente dos Estados Unidos, Jonh Kennedy.

Apesar dos graves problemas causados pelas sucessivas secas do Nordeste, o presidente Juscelino tinha seus interesses voltados para a construção de Brasília e para a implantação da indústria automobilística de São Paulo, não priorizando os problemas da Região.

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Palestrante revelou que, em 1958, o presidente do BNDE, Cleanto de Paiva Neto, convidou o economista Celso Furtado para deixar o cargo de diretor do CEPAL 

O palestrante revelou que, em 1958, o presidente do BNDE, Cleanto de Paiva Neto, convidou o economista Celso Furtado para deixar o cargo de diretor do CEPAL e assumir o cargo de diretor do Banco. Celso Furtado aceitou o convite com uma condição, desde que, tratasse, exclusivamente, dos problemas do Nordeste. Neste momento, Juscelino começou a se interessar pelos problemas da Região e designou o economista Celso Furtado para se incorporar ao Grupo de Trabalho para o Desenvolvimento do Nordeste (GTDN) e apresentar um relatório capaz de propor e, claro, justificar, políticas para o desenvolvimento da Região Nordeste.

As pressões políticas e populares dos nordestinos obrigaram o presidente a convocar uma reunião, em caráter de urgência no Palácio do Rio Negro, em Petrópolis, e no mês seguinte, numa segunda reunião de emergência, desta vez, no Palácio do Catete, no Rio de Janeiro, com a presença dos governadores dos estados nordestinos, de líderes parlamentares e do Arcebispo Dom Helder Câmara. Na oportunidade, Celso Furtado apresentou o relatório antes solicitado pelo presidente sobre a real situação do Nordeste, fato que, justificou a criação, pelo presidente Juscelino, do Conselho de Desenvolvimento do Nordeste (Codeno), nomeando o economista Celso Furtado para secretário Executivo e, na mesma reunião, encaminhou mensagem ao Congresso Nacional, propondo a criação da Superintendência do Desenvolvimento do Nordeste (Sudene), cujo Projeto de Lei foi sancionado pelo presidente Juscelino Kubitschek, em 15 de dezembro de 1959, transformado, posteriormente, na Lei nº 3.692, de 1959.

O palestrante ainda fez referência à evolução operacional do órgão, destacou a necessidade de uma institucional de desenvolvimento e de como se deu a organização da sociedade para exigir decisões do poder central para o Nordeste. A rica explanação do palestrante empolgou os presentes, que o parabenizaram “pela brilhante apresentação”. Bastante consciente do papel órgão que dirigiu, Leonides Alves, não poupou criticas à falta de capacidade de mantermos os interesses do poder central voltados para as necessidades do povo nordestino.

Presentes ao evento estavam o vice-presidente do Confea, Júlio Fialkoski; o presidente e o assessor do Crea-BA, Marco Antônio Amigo e Genivaldo Barbosa, respectivamente; a consultora da TGI, Fátima Brayner; o presidente do Crea-RN, Modesto Filho; o superintendente e a assessora do Crea-AL, Jackson Cabral de Santana e Denyse Chagas, respectivamente, o conselheiro federal, por Pernambuco, Leonides Alves Neto; a diretora do Crea-PE, Rosely Monteiro; o representante do Sinaenco, Luiz Neves, o presidente do Crea-TO, Valdivino Dias da Silva; o vice-presidente do Crea-MA, Antônio de Pádua;  a gerente do Nordeste, Cristiane Justino, a presidente do Crea-PB, Jiucélia Araújo, o presidente e adjunto do Colégio de Presidentes dos Creas do Nordeste e o conselheiro federal do Crea-PI, Paulo Roberto Ferreira de Oliveira e Marcelo Morais, respectivamente; os conselheiros do Crea-PE, Marco Antônio de Araújo, Sílvio Porfírio e Thales Maurício; o presidente do Crea-CE, Victor Pinto; do Crea-PB, Verneck Abrantes de Sousa; do Crea-DF, José Heraldo Baracuhy; o ex-presidente do Crea-PI, José Borges de Araújo, além do vice-presidente do Crea-PE, do chefe de Gabinete, do superintendente, e da assessora de Gestão e Operação, Arnaldo Cardim, Osvaldo Fonsêca, Roberto Arrais e Giane Camara, respectivamente.

Dilma Moura
ASC do Crea-PE