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Catástrofe de Brumadinho traz ao Crea-PE discussão sobre barragens

Na tarde de ontem (29), no auditório do Conselho Regional de Engenharia e Agronomia de Pernambuco (Crea-PE), pautados pelos desdobramentos da tragédia do rompimento da barragem em Brumadinho, a Academia Pernambucana de Engenharia e o Comitê Tecnológico Permanente do Conselho, juntamente com a participação de outras entidades e órgãos convidados, debateram sobre os problemas da engenharia, a necessidade do fortalecimento da categoria, a importância das análises de riscos e a implantação de uma prática de manutenção, ainda muito pouco difundida no país.

Na abertura do debate, o presidente da Academia Pernambucana de Engenharia, o engenheiro civil Mário de Oliveira Antonino, dissertou sobre a importância e o engrandecimento que encontros como esse podem trazer à sociedade.

O primeiro a fazer suas considerações foi Romilde Almeida, engenheiro civil, professor e membro da Academia Pernambucana de Engenharia, que abriu sua palestra relembrando acidentes recentes que tivemos aos longos dos últimos anos, como o caso da barragem de Mariana/MG, que resultou numa tragédia ainda maior do que a de Brumadinho/MG, liberando cerca de 54 milhões de m³ de rejeitos de mineração, pelo Rio Doce. Trazendo alguns números sobre barragens, Romilde apresentou dados alarmantes. No Brasil existem cerca de 24.096 barragens e apenas 30 órgãos de controle, que contam com um quadro de mais ou menos 154 fiscais, ainda considerado um número inferior ao que se precisa para uma fiscalização eficaz. “Muitos já se aposentaram e não estão ocorrendo reposições desse quadro. Outra preocupação é que 46% das barragens em operação não possuem autorização de funcionamento”, relatou.

O segundo momento foi do professor e engenheiro mecânico José Arthur de Barros Padilha, que falou sobre a banalização em que os cursos de engenharia vem passando nos últimos anos, questionando a seriedade de algumas instituições em emitir diplomas, sem o devido preparo do aluno.

No terceiro momento, o engenheiro agrônomo e membro do Comitê Tecnológico Permanente, Geraldo Eugênio, explanou sobre a importância da mineração nos dias atuais, mas alertou para a má gestão que vem se realizando no Brasil, frente ao assunto: “ O Brasil é um grande minerador. A mineração é uma atividade econômica de grande relevância, mas o atual modelo de gestão que vem se realizando, não pode continuar. Ela é mais política que técnica, e isso não podemos tolerar”.

Encerrando a primeira fase do debate, o engenheiro civil Amaro Henrique de Pessoa Lins, explicou sobre a importância da humanização na engenharia. “A engenharia está por toda parte e análises de riscos e cultura da manutenção não podem ser assuntos discutidos pós tragédias ocorridas, precisam estar na pauta rotineira de engenheiros e empreiteiras, que não podem fazer economia em quesitos como esses, pois o verdadeiro prejuízo é sempre o capital humano”, concluiu.

Como interventores tivemos a participação do engenheiro civil Francisco Chaves, secretário da Academia Paraibana de Engenharia, da também engenheira civil Ana Maria Pontes, presidente do Rotary Clube de João Pessoa/PB, do engenheiro civil Alexandre Santos, presidente do Clube de Engenharia de Pernambuco e também a massiva participação do público presente, entre inspetores, conselheiros, professores e engenheiros, membros de instituições públicas e privadas.

Na conclusão do debate, o presidente do Conselho, o engenheiro civil Evandro Alencar, agradeceu a participação de todos os presentes, e em resposta as intervenções sobre a possibilidade de haver desdobramentos de rejeitos de Brumadinho para a Bacia do Rio São Francisco, se reunirá com a Academia e o Comitê Tecnológico Permanente, para a elaboração de uma carta de posicionamento, contendo a preocupação do Conselho em relação ao assunto. A carta será entregue ao Governo do Estado.

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