Escola de Engenharia de Pernambuco completa 120 anos de fundação

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Escola Livre de Engenharia no início do século XIX

A Escola de Engenharia de Pernambuco, primeira das regiões Norte e Nordeste, completa 120 anos de existência nesta quarta-feira (3). A data será comemorada ao longo deste mês com a realização de quatro sessões solenes, uma delas na Câmara dos Deputados, em Brasília, e de uma série de palestras. A Escola de Engenharia fez parte da criação da Universidade do Recife, em 1946. No ano de 1965, a Universidade do Recife ganhou a denominação de Universidade Federal de Pernambuco (UFPE). O Conselho Regional de Engenharia e Agronomia de Pernambuco (Crea-PE) fará, na próxima quarta-feira (10), uma Sessão Plenária Ordinária em homenagem a Escola de Engenharia de Pernambuco. O evento acontece na sede da Fiepe, às 18h30.

As homenagens aos 120 anos da Escola de Engenharia de Pernambuco começam nesta quarta-feira (3), às 10h, com Sessão Solene na Câmara Municipal do Recife. No dia 8, às 18h, haverá Sessão Solene na Assembleia Legislativa de Pernambuco (Alepe). E no dia 15, às 10h, será a vez da Câmara dos Deputados homenagear a Escola de Engenharia em Sessão Solene, no Plenário Ulysses Guimarães, em Brasília.

As comemorações continuam com a Semana de Engenharia, de 16 a 19 deste mês, no Auditório Professor Newton da Silva Maia, no Centro de Tecnologia e Geociências (CTG), Campus Recife da UFPE. Os participantes poderão conferir palestras sobre sistemas embarcados, instrumentação eletrônica e suas tecnologias, engenharia de tráfego e acidentes de trânsito, uso da engenharia para convivência com a seca, cidades sustentáveis, entre outros. O livro “Segurança do Trabalho na Construção Civil”, do professor Antonio Nunes, será lançado, no dia 19, às 16h30. A programação completa pode ser conferida abaixo.

As inscrições para o evento são gratuitas e devem ser feitas presencialmente no Departamento de Engenharia Civil do CTG/UFPE, das 8h às 12h e das 13h30 às 16h30. O prazo segue até o próximo dia 16, limitando-se, no entanto, à capacidade do auditório (260 vagas).

“A Escola tem papel importante na sociedade. Ao longo dos anos, ela tem formado engenheiros que muito contribuíram e contribuem para o desenvolvimento da cidade, do Estado, da Região e do País”, destaca o professor do Departamento de Engenharia Civil e conselheiro do Crea-PE, Mauricio Pina, presidente da comissão responsável pelos festejos dos 120 anos. Segundo o docente, a criação da Escola de Engenharia foi motivada pelo progresso experimentado por Pernambuco, na segunda metade do século XIX, com a construção de ferrovias, cujas obras tiveram participação de engenheiros ingleses, e particularmente pela crescente urbanização da cidade do Recife. Devido à falta de engenheiros brasileiros, naquela época, profissionais franceses também costumavam prestar serviços no estado, a exemplo de Louis Vauthier, Morel e Liauthier.

HISTÓRIA
A Escola de Engenharia de Pernambuco foi criada, em 3 de junho de 1895, por meio da lei estadual 84, de iniciativa do então governador, o militar e engenheiro José Alexandre Barbosa Lima. Cronologicamente foi a quarta instituição de ensino de Engenharia do Brasil. Antes dela, existiam apenas a Escola Politécnica do Rio de Janeiro (antiga Academia Real Militar e atual Escola de Engenharia da Universidade Federal do Rio de Janeiro), a Escola de Minas e Metalurgia de Ouro Preto, em Minas Gerais, e a Escola Politécnica da Universidade de São Paulo (USP) – esta última foi criada apenas um ano antes da instituição pernambucana.

A Escola de Engenharia de Pernambuco começou a funcionar em março de 1896 e, pela qualidade do ensino ofertado, foi equiparada, em 1898, mediante decreto federal, à Escola Politécnica do Rio de Janeiro, considerada, à época, escola padrão no ensino de Engenharia.

Sob o pretexto de economia para o erário público, a Escola de Engenharia foi extinta em 1904. Assim, foi criada a Escola Livre de Engenharia de Pernambuco, custeada apenas por taxas pagas pelos alunos e, durante 12 anos, sem remuneração para os docentes. Em 1925, a instituição voltou a ser denominada Escola de Engenharia de Pernambuco e, em 1934, foi oficializada na gestão do interventor federal Carlos de Lima Cavalcanti, ficando o Executivo estadual com as atribuições de aprovar o orçamento anual da Escola e nomear o seu diretor.

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Atualmente, cursos de Engenharia da UFPE são instalados no CTG

De 1896 a 1918, a Escola de Engenharia funcionou em dois prédios, não mais existentes, localizados no Centro do Recife. O primeiro ficava ao lado do Palácio do Campo das Princesas e de frente para o Teatro de Santa Isabel. O segundo ficava no cruzamento da Rua do Príncipe com a Rua do Hospício, onde funcionou a 7ª Região Militar.

Após este período, a Escola de Engenharia instalou-se em um casarão situado na Rua do Hospício, número 371, também na área central do Recife. No ano de 1943, o antigo casarão da Rua do Hospício foi demolido e, no mesmo local, foi erguido o prédio que existe ainda hoje. A edificação foi inaugurada no dia 26 de janeiro de 1945.

Uma curiosidade, segundo o professor Mauricio Pina, é que os concluintes de Engenharia da turma de 1944 adiaram a colação de grau para 1945 para realizar a cerimônia no Salão Nobre do novo prédio, logo após a conclusão das obras. Naquele ano, o diretor da escola era o professor Moraes Rego, renomado engenheiro pernambucano. Ele ocupou o cargo por 22 anos – de 1917 a 1930 e de 1939 a 1948.

Em 1946, no governo do marechal Eurico Dutra, foi criada a Universidade do Recife, que incorporou, entre outras, a Escola de Engenharia e a Faculdade de Medicina. Em 1949, essas duas faculdades foram federalizadas, tornando-se, a partir de 1965, parte da Universidade Federal de Pernambuco, com a criação desta última. No ano de 1967, foi efetivada a transferência da Escola para o Campus Recife, na Cidade Universitária, onde continua em funcionamento, atualmente.

Com informações da Ascom/UFPE