Capa > Geral > Palestrante da 75ª Soea, Clóvis de Barros Filho, faz uma introdução do tema que abordará no evento

Palestrante da 75ª Soea, Clóvis de Barros Filho, faz uma introdução do tema que abordará no evento

Clóvis de Barros Filho é convidado da Mútua no evento e fará a palestra-magna de abertura, quando discorrerá sobre “Engenharia e Ética na Reconstrução do Brasil”

Palestrante com vasta experiência nacional e internacional, Clóvis de Barros Filho é professor Livre-Docente pela Escola de Comunicações e Artes da Universidade de São Paulo e Consultor em Ética da Unesco. Colunista de Ética da Revista Filosofia Ciência & Vida e professor da Casa do Saber, em São Paulo, ele participa do mundo corporativo desde 2005, quando criou também o Espaço Ética. Atualmente, o autor de “Ética na Comunicação” (Moderna, 1995) está lançando o livro “Shinsetzu – O Poder da Gentileza” (Planeta), em que promove, em forma de romance, um diálogo entre a cultura japonesa e a visão de mundo ocidental. A seguir, Clóvis de Barros Filho nos fala sobre o papel da Ética no cotidiano atual, antecipando um pouco da sua palestra-magna na abertura da Soea, cujo tema é exatamente “Engenharia e Ética na Reconstrução do Brasil”.

Confea – O senhor é autor de um dos livros mais importantes relacionados à ética no jornalismo, embora não seja uma obra estritamente deontológica. Qual seria então a importância da ética jornalística para os demais universos profissionais e de convivência?

Clóvis de Barros Filho – O jornalismo na sua atividade afeta, querendo ou não, toda a sociedade. Ajuda a definir a agenda pública, classifica os temas e as notícias consideradas importantes, dá valor a umas palavras e desvaloriza outras. Se o jornalismo como um todo for incapaz de pensar sobre a sua própria atividade, fica à mercê de interesses difusos e a sociedade inteira perde.

Confea – Hoje, a ética é vista por muitos como um exercício de autoajuda, em um misto de Filosofia, Psicologia e religiosidade, muitas vezes de caracteres duvidosos. É possível torná-la mais natural em nosso dia-a-dia, como um exercício moral compartilhado? A construção de uma conduta ética na sociedade atual depende principalmente de quê?

Clóvis de Barros Filho – Tudo que é formuláico é antiético. Isso porque a ética é a própria reflexão desembaraçada. O caminho mais simples e fácil de inserir a ética no cotidiano é livrar-se de tudo que é predeterminado. Nesse sentido, ética não poderia estar mais longe de autoajuda.

Confea – No vídeo “Como enfrentar os canalhas”, da Casa do Saber, com mais de 300 mil visualizações no Youtube, o senhor critica a sociedade individualista, “canalha”, considerando que a “ética é a vitória da convivência sobre a canalhice, a vitória do interesse público sobre interesses privados que pretendem comprometê-lo”. Diante de tantos exemplos de corrupção moral e social, inclusive dos movimentos pretensamente libertários da juventude, exercer com dignidade uma profissão se torna mais desafiante? Diante de tantas “canalhices”, a solução política é apenas um paliativo?

Clóvis de Barros Filho – Fora da política, apenas a barbárie. Negar a política é prevalecer a canalhice sobre o interesse geral. Agora, não é solução mágica. Através dela consolidam-se diversas outras mudanças sociais fundamentais para o combate à canalhice.

Confea – O Sistema Confea/Crea valoriza a condição ética de seus profissionais, considerando o caráter social das atividades regidas pela Lei nº 5194/1966. No entanto, verificamos recentemente uma série de indicações de que a ética está sendo desprezada por uma parcela pequena destes profissionais, mas que acaba prejudicando a imagem de milhares de outros profissionais que atuam dignamente. E muitos podem se perguntar, inclusive diante de um país que promove tão poucas políticas de Estado em favor do desenvolvimento: vale a pena tanto esforço, como valorizar legitimamente essas atividades?

Clóvis de Barros Filho – Que a canalhice afete o todo não é novidade. É de sua própria natureza. É justamente o triunfo do interesse individual, prejudicando o coletivo. Então, não me estranha o fato relatado. Agora, esmorecer diante da canalhice é selar o trágico destino: a destruição total e completa da atividade profissional. A vida é uma constante luta da retidão contra a canalhice.

Confea – A ética também é “um exercício da inteligência compartilhada que busca o aperfeiçoamento da convivência. Uma inteligência viva em busca de soluções”. O senhor fala em “soluções para conviver, diante de novas situações”, considerando que a ética não possui “uma tabela pronta”, maniqueísta, diante de problemas inimagináveis, dinâmicos. Aparentemente, uma conduta próxima a de profissionais da Engenharia, da Agronomia e das Geociências, diante de seus constantes desafios. Supondo que essa relação seja possível, qual a importância de preservá-la e difundi-la junto a estes profissionais?

Clóvis de Barros Filho – Importância total. Sem reflexão, sem ética, tudo rui. Problemas da vida e da ciência exigem uma postura altiva. Problemas novos requerem soluções novas. Não importa quem sejamos e onde trabalhamos.

 

Fonte e foto: Confea

Free WordPress Themes - Download High-quality Templates