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Patologia do concreto foi tema do Terça no Crea com o especialista Tibério Andrade

Uma retrospectiva, após 15 anos do diagnóstico dos primeiros casos na cidade de Recife, foi a base da discussão sobre Reação Álcali Agregado (RAA), no Terça no Crea do dia 11.08. O presidente do Conselho, Evandro Alencar, foi mediador da live que teve como convidado o engenheiro civil e sócio fundador da Tecomat Engenharia Ltda., Tibério Andrade. A transmissão foi iniciada as 19h, através do perfil no Instagram @creapernambuco.

Em virtude da participação do presidente na Fiscalização Dirigida que acontece durante toda a semana no Sertão do Pajeú, a agenda desta noite aconteceu na inspetoria do Crea-PE em Serra Talhada. De lá Evandro Alencar conduziu a programação do projeto.

Sobre a Reação Álcali-Agregado, o palestrante explicou que acontece por várias razões que vão desde a produção do cimento até a sua utilização em meio mais úmido ou seco, passando por propriedades inerentes ao solo em que se constrói a obra. A RAA, segundo Andrade, é um fenômeno patológico do concreto passível de acontecer em qualquer obra de qualquer lugar. No entanto, um estudo feito nos estados da região Nordeste, revelou que a Região Metropolitana do Recife e a cidade de Picos no estado do Piauí apresentaram altos índices de alcalinidade e provoca a decomposição do concreto provocando a absorção de água, que expande a estrutura comprometendo a sua estabilidade.

Sobre eventos ocorridos no Recife que tiveram como causa a Reação Álcali Agregado, o engenheiro citou a ponte Paulo Guerra, no Pina, que liga a zona sul a norte da cidade. Ainda na década de 30 obras de grande porte como a barragem de Paulo Afonso, construída pela Companhia Hidrelétrica do São Francisco (Chesf), foram casos emblemáticos da reação. Questionado por participantes da Live, sobre o edifício Areia Branca, disse que a RAA não foi vista como decisiva no desmoronamento, mas vários outros fatores em interrelação complexa.

O convidado disse ainda que a cada 4 anos há um congresso internacional que reúne especialistas, estudos e ensaios sobre a patologia, mas, que ainda assim, não há novidades consideráveis sobre a questão e disse: “quando o assunto é RAA, só sei que nada sei”. Um estudo realizado para o trabalho de Conclusão de Curso (TCC), fez experimentos nas cidades de Recife, Maceió e Aracaju e, no caso da primeira e terceira cidades, o potencial de reatividade dos agregados chama a atenção.

Em um dos casos abordados pelo especialista, a observação das condições de estabilidade de um prédio não concluído mostrou fissuras em alguns blocos e outros não. No apanhado de informações colhidas para se chegar a uma conclusão sobre a patologia, foi registrado que a concretagem do prédio foi realizada em 4 etapas por duas concreteiras distintas. A conclusão: os três blocos concretados pela empresa “A” tinham sido realizados com material de boa qualidade, já o bloco concretado pela empresa “B” possuía agregados de baixa qualidade, responsáveis pelas fissuras encontradas na vistoria.

Perguntado sobre as vistorias realizadas em diversas pontes do Recife, Tibério Andrade afirma que os comprometimentos têm como principal causa desgaste nos blocos de coroamentos, ou seja, corrosão de armadura. “Não quer dizer que não haja a patologia, mas, certamente não é a RAA a causa dos desgastes dessas estruturas”, afirma o especialista.

Perguntado qual o tempo que há entre a descoberta e a solução do problema, o professor explicou que qualquer intervenção que se faça nas estruturas, só pode ser avaliada a longo prazo. “Era necessário que toda estrutura que passasse por processo de recuperação ou contenção do processo, fosse avaliada para verificação da eficiência e eficácia da intervenção realizada”, lembrando que a única obra em que foi necessária a evacuação em virtude do nível de RAA, foi o edifício Apolônio Sales, na Avenida Conde da Boa Vista.

Além de afirmar que em solos mais secos o fenômeno ocorre com menos frequência do que nos mais úmidos, Andrade informou que a patologia nunca derrubou nenhuma edificação. Explicando, inclusive, que, em edificações com mais de 30 a 40 anos, as fissuras existentes não devem sofrer nenhuma intervenção, por que, não evoluem mais.

Conhecedor e experiente em tudo que afirmou sobre a patologia, Andrade se definiu: “Amo concreto. A minha vida é o concreto e poder ajudar nas empreitadas que são inevitáveis de ocorrer.

O presidente parabenizou o convidado, o público da live esclareceu dúvidas e elogiou o alto nível de conhecimento do palestrante sobre o assunto, bem como a iniciativa do Crea-PE em trazer o tema para o Terça no Crea. O conteúdo da Live sobre RAA está disponível no canal do Youtube do Crea-PE (CreaPE Oficial) e no perfil do Instagram do Conselho (@creapernambuco).

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