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Principais aquíferos do Nordeste são analisados no Terça no Crea

Durante uma hora, o Conselho Regional de Engenharia e Agronomia de Pernambuco (Crea-PE), promoveu na noite da terça-feira, 25.08, pelo canal do instagram (@creapernambuco), discussão técnica sobre condições hídricas do Sertão e também da Zona da Mata e Região Metropolitana do Recife, em Pernambuco e diferentes localidades de outros estados nordestinos. A live do Terça no Crea, apresentou o tema “Águas Subterrâneas no Semiárido, com o palestrante, João Diniz, geólogo, mestre em Geociências com foco em Hidrogeologia, Chefe – a nível nacional – da Divisão de Hidrogeologia da CPRM – Companhia de Pesquisa de Recursos Minerais, órgão ligado ao Ministério de Minas e Energia.

O presidente do Conselho, Evandro Alencar, foi mediador da apresentação, que logo de início, esclareceu a missão da Companhia:  gerar e disseminar conhecimento geocientífico com excelência, contribuindo para melhoria da qualidade de vida e desenvolvimento sustentável do Brasil.

João Diniz informou que a CPRM atua em todo o Brasil com uma estrutura de 8 superintendências Regionais nos estados de Porto Alegre, São Paulo, Belo Horizonte, Salvador, Recife, Belém, Manaus e Goiânia, além de contar com mais 4 núcleos regionais, um escritório Central no Rio de Janeiro e a sede em Brasília, atuando em 16 estados do País. Possui cerca de 1,8 mil, empregados sendo mais de 1 mil engenheiros, geólogos ou geógrafos, profissionais de nível médio como topógrafos e muitos outros.

Em termos de recursos hídricos, disse que a CPRM opera quase 4 mil estações da rede hidrometereorológica nacional, que são da Agência Nacional de Águas (ANA). Ainda segundo informações do palestrante, cabe também aos operadores a emissão de alertas sobre inundações, enchentes e outros fenômenos à população. Possuem ainda uma rede de monitoramento de águas subterrâneas que opera há pouco mais de 10 anos com 400 pontos, sendo toda automática, o que diferencia da rede hidrometeorológica, acrescentou.

O presidente do Crea-PE perguntou ao convidado, sobre a condição do Nordeste em termos de oferta de recursos hídricos. João Diniz  dividiu a região em quatro grandes áreas: “A Mata Norte onde não temos problema de escassez de água, o Agreste e o Sertão semelhantes na carência hídrica e o que chamamos de meio Norte que é a partir do final do Piauí chegando no Maranhão onde há agua em abundância”.

Disse que o chamado polígono das secas é formado pelo Sertão, Agreste e boa parte do Piauí. Naquela área, em termos de recursos hídricos, falou que a água de superfície, tem um volume estimado de 37 bilhões de m3 de água o que corresponde a quase 70 mil açudes construídos no polígono das secas. “O grande problema é que grande parte desses reservatórios, aproximadamente, 90% deles, secam. Em qualquer estiagem aqui no NE dos 600ml a 800ml de chuva anuais são evaporados 2, 200 ml. Isso significa construir açudes é o mesmo que dá água para o sol beber”, concluiu.

Do ponto de vista de águas subterrâneas, explicou que existem dois domínios principais, o das rochas cristalinas ou duras. Citou por exemplo, o polígono das secas tem cerca de 1 milhão de Km2, e que 70% desse total é de rochas cristalinas. Falando em Pernambuco, destacou que o estado tem 100 mil Km2, sendo 80% de rochas cristalinas.   

“O Maranhão todo é dentro de uma bacia sedimentar. O Piauí tem 80% de bacia sedimentar, 50% do Rio Grande do Norte e da Bahia são de bacias sedimentares. Em Pernambuco, apenas 30% tem bacia sedimentar. No cristalino, que é a maior parte do estado de Pernambuco, os poços são, normalmente de baixas vazões, cerca de 1 a 2 mil litros por hora e as aguas são salinizadas. Embora o aproveitamento seja pequeno, é fundamental para as comunidades isoladas”, afirmou João Diniz.

Lá na CPRM, segundo disse, há um banco de dados de águas subterrâneas que registra cerca de 340 mil poços cadastrados, segundo disse, e que em Pernambuco, há 34 mil poços, reforçando a importância da gestão e do uso dessas águas. Falou ainda do aquífero Urucuia, um dos maiores do Nordeste, localizado na área da margem esquerda do Rio S. Francisco.

Diniz esclareceu sobre as bacias sedimentares no nosso estado, que são poucas. “Temos a bacia Costeira, bacia do Jatobá, outras pequenas no Sertão e tem a bacia do Araripe que é sedimentar. Bacia do Araripe do lado do Ceará são excelentes, do lado pernambucano os poços têm por exemplo, 1200m, com vazão de 100 mil litros por hora, 1200m em cima da chapada,” acrescentou.

O geólogo comentou ainda sobre projetos de barramento que estão sendo utilizados para irrigação de hortas e outros. Com relação às condições hídricas da RMR, o entrevistado, disse que na grande crise de 1994 o que segurou a cidade foram as águas subterrâneas, que abasteceram praticamente o Recife todo. O presidente do Crea-PE agradeceu pela qualidade da apresentação e já sinalizou que serão vistas outras pautas com a CPRM, em suas áreas de pesquisa.

Evandro Alencar anunciou na Live, que a partir da próxima semana, o Terça no Crea terá novo formato digital, como Webinar. “A iniciativa busca ampliar oportunidades de capacitação para os profissionais do Sistema Confea/Crea e inclusive, vai permitir intercalar temas técnicos com debates de uma nova série a ser lançada dia 08.09, Um Projeto para o Brasil, criada pelo Conselho, através de seu Comité Tecnológico Permanente”, disse. Mais informações serão compartilhadas no site e nas redes sociais do Crea-PE.

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