Capa > Arquivo > Terça no Crea esclarece dúvidas sobre nova norma de inspeção predial

Terça no Crea esclarece dúvidas sobre nova norma de inspeção predial

 

Na live transmitida no dia 14.07, pelo Conselho Regional de Engenharia de Pernambuco (Crea-PE), no perfil do órgão no Instagram @creapernambuco, o presidente Evandro Alencar foi mediador da palestra sobre Inspeção Predial e a Nova NBR 16.747:2020, que entrou em vigor no dia 21 de maio de 2020. O palestrante foi o engenheiro civil da Tecomat Engenharia, Rodrigo Antônio Pereira de Moraes.

O especialista falou sobre a importância da norma, que é o primeiro dispositivo legal a ser seguido sobre a matéria. “A nova norma é de grande importância uma vez que não tínhamos nada que preconizasse a inspeção. Inicialmente, durante a implementação das inspeções prediais se seguiam modelos americanos, e com o passar do tempo estes modelos foram se adequando a nossa situação. O novo documento irá universalizar as exigências para que todos falem a mesma língua quando se tratar de inspeção”, alertou Rodrigo Moraes.

O presidente Evandro Alencar aproveitou a oportunidade para informar aos internautas que desde 2016, o Crea-PE, busca, junto a Assembleia Legislativa do Estado, que a Lei Estadual nº 13032/2006, alterada no ano seguinte para nº 13041/2007 seja regulamentada integralmente, já que o documento só foi regulamentado nos artigos que dizem respeito a Engenharia Estruturada, utilizada na construção dos popularmente chamados, prédios caixão, em todo o estado.

O palestrante fez questão de ressaltar a falta de conhecimento e entendimento da necessidade da execução do serviço por meio da sociedade, relatando também que em diversas situações, há interpretação equivocada em relação ao custo da inspeção e da manutenção predial, “o grande impeditivo para a contratação de empresas e profissionais habilitados”, segundo afirmou.

“A manutenção periódica, preventiva, é muito mais barata e segura que deixar para fazer reparos apenas nas emergências, ou em caso de ameaça de sinistros. É importante ver a necessidade da manutenção predial, como a revisão de um carro, por exemplo. Há situações de nos depararmos com edificações de 30/40 anos de construídas, sem registro de que qualquer serviço tenha sido feito no decorrer dos anos. ”, informa o engenheiro, acrescentando que “para edificações de até 20 anos de construção, as inspeções devem ser realizadas a cada cinco anos, se o tempo de construção for superior a 20 anos, esse tempo cai para três anos”.

Rodrigo Moraes apontou as inspeções como importantes aliadas para o gestor, principalmente, quando ela identifica a necessidade de manutenção. Ele lembrou ainda que esses serviços são investimentos que trazem vantagens para as construtoras, os usuários e síndicos. Lembrou ainda, que para se realizar o histórico de tudo que for feito na edificação, é necessário que haja um Plano de Manutenção que evitará a perda de garantia da construtora.

De acordo com o palestrante o custo da manutenção corretiva equivale a cinco vezes o que se gasta em manutenções preventivas, que muitas vezes, por indicação do profissional que iniciou a vistoria necessita da participação de equipe multidisciplinar, fato que depende do nível de comprometimentos encontrados. “ Em virtude das especificidades de cada edificação as vezes se faz necessário, a intervenção de outros especialistas assim como, em caso de dúvidas por parte de qualquer um dos profissionais é necessário que se continue o trabalho como uma inspeção especializada para a realização de ensaios e testes específicos”, complementa.

Alencar quis saber a opinião do engenheiro quanto a possibilidade da aplicação da norma ampliar o mercado de trabalho para os profissionais da Engenharia. Concordando, Moraes fez questão de chamar atenção para o fato de que o trabalho é complexo e que exige expertise por parte de quem irá realiza-lo.

Sobre as maiores dificuldades encontradas nas inspeções, o convidado revelou que a maior de todas é a falta de registros e demais informações, que por não existirem, acaba criando muito mais dificuldade na execução do levantamento.

Na oportunidade, o presidente do Conselho informou que por meio de convênio firmado entre o Sistema Confea/Crea e a Associação Brasileira de Normas Técnicas, profissionais registrados e em dia com o Crea e a Mútua-PE, têm acesso as normas com descontos que chegam aos 50%.

Quanto a pergunta sobre o tempo de inspeção de obras públicas especiais, como pontes e viadutos, Moraes informou que devem ser realizadas a cada três anos de acordo com normas próprias.

Sobre a exigência de que a inspeção necessita da Anotação de Responsabilidade Técnica (ART), o presidente explicou que o documento dá segurança ao profissional para que não seja cobrado por serviço que não executou e que são as ARTs que comprovam a experiência do profissional já que geram o seu Acervo Técnico.

O coordenador da Câmara Especializada de Engenharia Civil em nível estadual e nacional, Rogério Souza interagiu na live informando que um grupo de conselheiros irá fazer um trabalho de convencimento e sensibilização dos síndicos quanto a importância da realização das vistorias.

Nas suas considerações finais, o especialista parabenizou o presidente pela iniciativa que é um dos caminhos para que a população tome conhecimento da norma. “A necessidade da realização das inspeções e manutenções fora do ambiente da construção civil só foi mais difundida depois do desabamento do edifício Areia Branca, na zona sul do Recife.”, concluiu.

O presidente Evandro Alencar se despediu agradecendo a participação do convidado e a valiosa contribuição em dividir seus conhecimentos sobre o assunto com os profissionais e demais participantes do encontro virtual.

Free WordPress Themes - Download High-quality Templates