A resposta que a sociedade espera

As vésperas da realização de um dos maiores eventos do planeta, a “Conferência das Nações Unidas sobre Desenvolvimento Sustentável – Rio + 20”, os seus diversos eixos temáticos nos direcionam a refletir e discutir sobre o futuro dos povos, suas redes e organizações. Essa reflexão passa, sem dúvida alguma, por instalar em Pernambuco um movimento local de igual importância, já que o Estado experimenta um momento especial de desenvolvimento com obras estruturadoras que, sendo realizadas do litoral ao interior, estão modificando o ambiente e trazendo riqueza e desenvolvimento que alteram a sua geopolítica.

 

Em 2008, por iniciativa do Sindicato da Indústria da Construção Civil (Sinduscon/PE), foi instalado o Fórum Pernambucano de Construção Sustentável, com o objetivo claro de disseminar a educação ambiental com conceitos e práticas mais sustentáveis e contemplando as dimensões sociais, econômicas e ambiental da cadeia produtiva da indústria da construção civil, de modo a contribuir para diminuir os impactos causados com a geração de resíduos, reconhecendo que os aspectos ambientais e sociais afetam não apenas o desenvolvimento econômico, mas a sobrevivência da humanidade a longo prazo. Ao reunir entidades empresariais e acadêmicas, mensalmente, para discutir diversos temas, com vistas a alcançar os objetivos propostos, logrou-se a realização de quatro seminários consecutivos anos da sua instalação. Os seminários realizados entre os anos de 2008 e 2011 cumpriram o papel de reunir e sintetizar as ações propostas pelo fórum e ensejaram a criação do Movimento Via Sustentável, com raiz nas discussões e contribuições apresentadas nesses eventos e colocando empresários, profissionais, professores, estudantes e a sociedade não especializada na discussão e no entendimento de fatos ligados ao desenvolvimento sustentável.

 

A eficiência energética e a construção sustentável são eixos temáticos do movimento. A sustentabilidade na construção passa pelo uso racional de matéria e energia, recursos cada vez mais escassos e caros, com grande impacto sobre o ambiente natural (da obtenção à utilização final), que têm na inovação tecnológica a resposta imediata para anseios cobrados pela sociedade. Não basta apenas saber construir (edificar), é necessário conhecer o espaço (ambiente construído) para avaliar a verdadeira contribuição da tecnologia para o desenvolvimento sustentável.

 

O Programa de Pós-Graduação em Engenharia Civil (PEC) da Escola Politécnica da Pernambuco/Universidade de Pernambuco (UPE) é parceiro ativo no Fórum Pernambucano de Construção Sustentável. Sempre presente, tem atuado para garantir a formação acadêmica de profissionais qualificados, focado na inovação tecnológica e no desenvolvimento sustentável. Com um número considerável de dissertações defendidas com temáticas voltadas para a sustentabilidade ambiental da construção civil, o programa saiu em busca de centros nacionais e internacionais para parcerias que somem experiência e saberes.

 

A gestão dos resíduos da construção civil foi dos temas tratados no Fórum Pernambucano de Construção Sustentável que mais recebeu contribuição do PEC/Poli. Outros como a avaliação do ciclo de vida de produtos e processos da construção, que tem reconhecida importância para o entendimento das relações do setor, e como entorno ambiental foram objeto de disseminação da informação no último seminário realizado pelo Sinduscon/PE, quando houve uma apresentação da experiência mexicana na utilização de métodos, em um estudo de caso ocorrido no México que contou com a colaboração e a participação do PEC/Poli, resultado de um convênio entre as instituições.

 

Com isso, indiscutivelmente o Movimento Vida Sustentável é formado pelo agrupamento de entidades focadas em um objetivo comum: garantir melhor qualidade de vida no presente com um desenvolvimento baseado na sustentabilidade, garantido as mesmas condições às gerações futuras pela construção de ações que sejam a resposta que a sociedade espera.

 

Artigo do Prof. Dr. Arnaldo Cardim de Carvalho Filho publicado na edição nº 61 da Revista Construir Nordeste.