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Crea Convida traz para o debate desta terça-feira (17) o tema “Maio Amarelo: desafios e oportunidades para a segurança viária”

Movimento, criado em 2011, nasce com uma só proposta: chamar a atenção da sociedade para o alto índice de mortes e feridos no trânsito em todo o mundo

Uma pandemia disfarçada. Assim pode ser classificado o número de mortes por acidentes de trânsito no Brasil. Por ano, 37 mil pessoas vêm a óbito apenas no local do acidente, fora as que morrem a caminho do hospital, no próprio hospital ou em casa mesmo, em consequência dos acidentes. Para reduzir este número, foi criado, em 2011, o Movimento Maio Amarelo.

O Movimento Maio Amarelo nasce com uma só proposta: chamar a atenção da sociedade para o alto índice de mortes e feridos no trânsito em todo o mundo. O objetivo do movimento é uma ação coordenada entre o Poder Público e a sociedade civil. A intenção é colocar em pauta o tema segurança viária e mobilizar toda a sociedade, envolvendo os mais diversos segmentos. O amarelo faz inspiração ao sinal de trânsito, onde a cor indica atenção.

Para falar dos impactos do movimento para a sociedade, o Crea Convida desta terça-feira (17) traz o tema “Maio Amarelo: desafios e oportunidades para a segurança viária”. O encontro conta com três palestrantes: Walker Barbosa, presidente do Conselho Estadual do Trânsito de Pernambuco (Cetran-PE); Nádia Sudário, geógrafa e observadora certificada do Observatório Nacional de Segurança Viária (ONSV); e Nazareno Affonso, urbanista da mobilidade e diretor nacional do Instituto MDT (Movimento Nacional pelo Direito ao Transporte). O engenheiro civil e gerente de Integração e Excelência do Crea-PE, Ivan Carlos Cunha, participa como debatedor.

“Maio amarelo foca especificamente as vítimas de trânsito, para chamar a atenção para essa verdadeira pandemia disfarçada que existe. Além das perdas das vidas há um prejuízo previdenciário muito grande também em função da aposentadoria precoce de muitos jovens”, observa Walker Barbosa, destacando que o trânsito se ancora em quatro pilares principais que são os quatro Es: educação, engenharia, estatística e esforço legal (que é a fiscalização).

Nádia Sudário conta que o movimento teve origem no Observatório Nacional de Segurança Viária e hoje tem a adesão de 27 países, nos cinco continentes. Ela defende a necessidade do profissional mais técnico junto aos municípios para a gestão inteligente do trânsito. “Porque hoje se um engenheiro, um profissional da geociências não tiver a certificação devida na área, obviamente, vai ter um erro de projeto e uma vida pode ser perdida”, observa a geógrafa.

Ela ainda continua: “A gente sabe que têm os acidentes de trânsito em função dos elementos humanos e têm alguns acidentes em função de alguma sinalização errada, de uma projeção mal executada.” Por isso, a observadora certificada reforça a necessidade de técnicos, profissionais nas prefeituras. “Independente do universo populacional, a gente tem índice de acidentes e um acidente que seja pode ceifar uma vida e alguns prefeitos, por exemplo, estão sendo processados cível e criminalmente pela não execução do planejamento eficiente do trânsito, independe do universo populacional”, contabiliza.

Ela diz que o tema do movimento deste ano é “Juntos, salvamos vidas”. Uma alusão à própria pandemia. “Todo mundo cuidando um do outro da forma como deve ser no trânsito. Cuidar da sua direção, dirigir defensivamente em respeito ao próximo e essa chamada é para os técnicos, para os gestores, para o próprio cidadão que todo mundo tem que fazer sua parte”, defende ela.

Nádia Sudário afirma que a necessidade mais urgente é o próprio condutor se reconhecer como de fato responsável pela sua vida e a do próximo. “Hoje a engenharia dá a solução para tudo. Mas infelizmente a gente ainda vai ter o imperito, o imprudente, o negligente. A gente pode ter um semáforo inteligente, com avanço de radar, que esse motorista vai passar pelo sinal vermelho”, avalia a observadora certificada.
O urbanista Nazareno Affonso vai trazer sua experiência à frente de um programa que é referência nacional na redução de mortes de trânsito. Ele criou o programa quando era secretário em Brasília, nos anos de 1995 a 1998 e contabilizou a redução de 50% no número de mortes no trânsito nesses três anos.

“É um programa que passou de governo para governo. Foi abraçado pela sociedade e não pelos governos”, atesta Affonso. A chave do sucesso está na fiscalização. “O maior problema que a gente tem é a falta de poder público na fiscalização”, atesta Affonso.

Foi feita a primeira parte de educação com os motoristas, no respeito à faixa de pedestre. A pessoa botou o pé na faixa, o motorista para para dar a vez. Primeiro foi educativo, depois vieram as multas. Quando o motorista entendeu que precisava parar para o pedestre passar na faixa, foi a vez de educar o pedestre para atravessar na faixa, que era um local seguro.

O Crea Convida é transmitido ao vivo pela TV Crea-PE, no YouTube, a partir das 19h. Após a apresentação dos convidados é aberto um espaço para interação com os participantes presentes na live, com perguntas sobre o tema.

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