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Gleisi Hoffman fala sobre logística e responde a perguntas dos presidentes na reunião do CP em Foz do Iguaçu

No início da tarde desta segunda-feira (14), primeiro dia da Reunião do Colégio de Presidentes do Sistema Confea/Crea e Mútua, que acontece na cidade de Foz do Iguaçu, no Paraná, até a próxima quarta-feira (16), a ex–ministra da Casa Civil, Gleisi Hoffman, falou sobre o tema Programa de Investimentos em Logística (PIL). Convidada para fazer uma palestra para os membros do CP, a senadora disse que preferia discorrer sobre algumas ações do programa das quais ela tinha participado diretamente enquanto estava no governo, falar sobre as intenções da presidente Dilma Roussef em executá-las e, posteriormente, abrir a palavra para os presidentes, estabelecendo uma conversa com a participação de todos.

WP_20140414_027Iniciando sua fala sobre os investimentos e as ações que foram executadas e as que estão em andamento nos quatro modais de transporte do País rodovias, ferrovias, portos e aeroportos, Gleisi Hoffman destacou que esses investimentos foram responsáveis pela retomada de grandes obras que estavam paralisados e que representavam um grande gargalo para a logística do Brasil. Sobre o modal rodoviário, ressaltou as intervenções nas rodovias que ligam o Centro-Oeste ao Norte do Brasil. “Quase cinco mil quilômetros de rodovias já foram licitados e, graças às experiências exitosas nos governos dos presidentes FHC e Lula, viabilizamos um modelo de investimentos em curto prazo, com preços mais acessíveis tanto para a população quanto para o setor produtivo”, disse.

No quesito portos, a senadora lembrou que a aprovação da nova lei de portos, que permite a exploração dos espaços por empresas da iniciativa privada, em sua opinião, representa um grande avanço para o restabelecimento do modal. Ela disse ainda que, a partir da aprovação da lei já foi possível realizar licitações que irão viabilizar o escoamento de 120 milhões de toneladas de produtos brasileiros que irão movimentar cerca de 10 bilhões de reais. Esses números, disse a senadora, se equiparam aos do Porto de Santos.  “Estamos fazendo um novo Porto de Santos, distribuído em vários espaços do Brasil”, comemorou, explicando que o governo federal, realizou licitações para 20 novos terminais.

Com relação às ferrovias, Hoffman disse que o processo de concessão é bastante complicado, dando como exemplo, a demora que houve para o Ministério Público Federal autorizar a concessão de alguns trechos. Para ela, este é o setor que representa o maior desafio, inclusive, com a necessidade de se fazer um novo traçado. “Talvez esse seja o preço que tenhamos que pagar por termos deixado o setor sem a devida atenção por muito tempo. Mas, acredito que iremos superar as dificuldades e o País irá retomar o desenvolvimento que depende desse tipo de modal”, disse otimista.

Sobre os aeroportos a ex-ministra falou da concessão dos aeroportos de Brasília, Guarulhos e Campinas, lembrando que foram concluídos os processos de licitação dos aeroportos do Galeão, no Rio de Janeiro e Confins, em Minas Gerais, que, segundo informou, vão seguir o mesmo rumo dos outros três aeroportos. Ela acrescentou ainda, que a intenção da presidente Dilma Roussef é continuar com o programa de parceria com a iniciativa privada para beneficiar outros aeroportos importantes.

Na aérea energética, destacou o sucesso do leilão do Campo de Libra, na Bacia de Campos, para conceder áreas para exploração de petróleo e gás natural na região brasileira do pré-sal. Tivemos também grandes investimentos em usinas de geração e transmissão de energia.

Sobre concessões, disse que agora, os projetos deverão ser apresentados pela iniciativa privada, informando que no Mato Grosso, mais de 20 empresas farão projetos de rodovias que serão avaliados pelo Dnit, a quem caberá escolher o melhor entre todos apresentados. Gleisi afirmou que, “o que motivou a presidente a fazer esse plano, foi a possibilidade de avaliar as ações olhando o mapa produtivo para saber o que é o Brasil, e o que o País pode representar para o mundo”, concluiu.

Após o que ela chamou de breve relato sobre o PIL, a senadora abriu espaço para perguntas, críticas e sugestões dos presidentes que quisessem fazê-lo. A partir de então, respondeu ao presidente do Crea-PA, sobre possíveis investimentos na rodovia Transamazônica, do presidente do Crea-TO, sobre a conclusão das obras da ferrovia Norte/Sul, do presidente do Crea-ES, sobre o início das obras de ampliação do aeroporto do estado, do presidente do Crea-DF, sobre a continuidade do projeto do trem bala, do presidente do Crea-PR, sobre os investimentos previstos para o estado, entre outras.

Com relação à pergunta feita pelo presidente do Crea-PE, José Mário Cavalcanti, sobre a perspectiva de retomada de duas das maiores obras já realizadas no Estado de Pernambuco, se referindo à Transnordestina e à transposição do Rio São Francisco, Gleisi Hoffman explicou que a grandiosidade desses investimentos já representa uma dificuldade que se soma a outras, mas, disse que as obras de alguns trechos de ambas já estão sendo retomadas e que, seguramente, serão concluídas.  

A pergunta que não quer calar

Foi feita no encerramento do debate, pelo presidente do Confea, José Tadeu da Silva, a pergunta que todos queriam saber. Qual a posição da ex-ministra, sobre a PL 7607/10 que define a carreira de engenheiro como típica de Estado.  “A senhora entende que a Engenharia tem importância para ser típica de estado?”, quis saber. Para responder ao presidente do federal, Gleisi iniciou sua fala explicando que carreira típica de estado, são aquelas em que o estado não pode terceirizar e se isso acontecer com a Engenharia, o governo terá que ter um corpo técnico para realizar todo e qualquer serviço de Engenharia, “não temos dinheiro nem estrutura para isso”, afirmou.

Ainda sobre o assunto, avaliou como de grande importância, mas, ressaltou que é necessário realizar alguns ajustes para torná-lo viável. “Talvez possamos pensar na possibilidade de consideramos carreira típica os cargos ocupados por engenheiros na área de projetos”, ponderou, lembrando que, por não ter a mesma mobilidade do mercado, o estado acaba perdendo mão de obra. “Contratamos, por concurso, engenheiros para receberem salários de cerca de R$ 15 mil. Uma empresa privada oferece R$ 20 ou 25 mil e leva o engenheiro”, explicou, se comprometendo a continuar conversando sobre a questão para chegar a uma solução que seja boa para os profissionais, para o governo e para o País.

Após a participação da convidada, a pauta da reunião foi retomada com a discussão de assuntos relativos às diárias da Soea, à implantação de um sistema único de informações entre outros.   

Dilma Moura

ASC do Crea-PE

De Foz do Iguaçu (PR)

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