Morre Borsoi, a lenda viva de um profissional irretocável

O arquiteto que imortalizou a arquitetura poética através do seu trabalho Considerado um dos ícones da Arquitetura e do Urbanismo nacional, Acácio Gil Borsoi faleceu, na quarta-feira (04), em São Paulo, deixando um acervo de obras capaz de perpetuar a sua genialidade, criatividade e estilo próprios. Em entrevista concedida na edição de nº 2 da Revista Creação, publicada pelo Conselho Regional de Engenharia, Arquitetura e Agronomia de Pernambuco (Crea-PE) em 2005, o arquiteto fez um relato divertido sobre alguns aspectos da sua vida pessoal e da profissão que definiu como sendo poesia. Em 1951, o carioca veio morar, no Recife, para lecionar no curso de Arquitetura da Escola de Belas Artes. Ele, juntamente, com o arquiteto português Delfim Fernandes Amorim, com Heitor Maia Neto e com Geraldo Gomes da Silva, foi responsável pela reformulação do curso de Arquitetura do Estado. A frente da disciplina de Grandes Composições, que assumiu no lugar do italiano Mario Russo, Borsoi permaneceu no cargo até 1979, ano em que pediu demissão em repúdio à intervenção militar na escola. Sua trajetória profissional teve início em 1949, quando se formou pela Faculdade Nacional de Arquitetura da Universidade do Brasil e fez as plantas de cálculo do engenheiro Joaquim Cardozo para o Teatro de Salvador. Também atuou como consultor do Serviço do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Sphan, atual Iphan) por 15 anos. Entre seus trabalhos, destacam-se ainda a autoria de projetos de interiores famosos no Rio de Janeiro, como o Palácio da Guanabara e o restaurante Assírio, do Teatro Municipal. Vítima de um câncer descoberto há pouco mais de quatro meses, Acácio Gil Borsoi viveu um grande golpe no ano passado, quando faleceu também por câncer a companheira, a sua ex-aluna e arquiteta Janete Costa. Por longos anos, eles desenvolveram trabalhos no escritório Borsoi Arquitetura Ltda. O arquiteto e urbanista nascido no Rio de Janeiro em 1924 deixa oito filhos, como mesmo descreveu. Quatro do seu primeiro casamento, três do primeiro casamento de Janete Costa e um, fruto da união deles, que durou 39 anos.
De acordo com informações de familiares e amigos, o corpo de Borsoi será cremado em São Paulo, de onde virão as cinzas para o Recife, capital que ele escolheu para viver, trabalhar e amar.