Palestra sobre rumos da ferrovia expõe situação do transporte no País

Novos investimentos, cronograma das obras e a importância dos transportes foram alguns dos aspectos do modal ferroviário, discutidos na sexta-feira (25), no simpósio sobre os “Novos Rumos da Ferrovia no Brasil”. A palestra foi promovida pelo Clube de Engenharia de Pernambuco, dentro da programação do Seminário Permanente de Desenvolvimento, realizado no restaurante Catamarã, no bairro de São José.

 
No encontro, o superintendente de Planejamento de Obras da VALEC Engenharia, Construções e Ferrovias S.A., o engenheiro Jaime Ferreira Barboza, falou sobre “Novas Ferrovias a serem Construídas”. Já a ausência do presidente da Transnordestina S.A, Tufi Daher Filho, que participaria na condição de palestrante sobre “A Ferrovia Transnordestina e a Integração Ferroviária do Nordeste”, foi duramente criticada pelo presidente do Clube de Engenharia de Pernambuco, Alexandre Santos. Para Santos, a ausência denota medo de se expor para responder aos questionamentos de “um público de pessoas inteligentes e bem informadas”.  
 
De acordo com Jaime Barboza, o Brasil já chegou a possuir quase 40 mil km de malha ferroviária, hoje há apenas 28 mil Km e destes, só 12 mil Km continuam operando. A VALEC tem concessão do Governo Federal para a construção e operação da Ferrovia Norte-Sul, cujo traçado, com extensão de 3.100 km, é iniciado em Belém, no Pará, e segue até o município de Panorama, em São Paulo.
 
Além disso, a VALEC, que vinha tendo como função principal a construção da EF 151 – A Ferrovia Norte-Sul, que vai de Belém (PA) até Panorama (SP), detém, agora também, a concessão das Ferrovias: EF 267, de Panorama, em São Paulo, a Porto Murtinho, no Mato Grosso do Sul, com 750 km; EF 334 – Ferrovia da Integração Bahia-Oeste, que, partindo de Ilhéus, na Bahia, chega a Figueirópolis, no Tocantins, onde se liga à Ferrovia Norte-Sul, num total de 1.490 km; e a EF 354 – Ferrovia Transcontinental, que partirá do Litoral Norte Fluminense e passará por Muriaé, Ipatinga e Paracatu, em Minas Gerais; por Brasília, no Distrito Federal, por Uruaçu, em Goiás; por Cocalinho, Ribeirão Castanheira e Lucas do Rio Verde, em Mato Grosso; Vilhena e Porto Velho, em Rondônia; e Rio Branco e Cruzeiro do Sul, no Acre, até chegar à localidade de Boqueirão da Esperança, na fronteira Brasil-Peru. A Transcontinental terá, depois de concluída, um percurso de 4.400 km. Ao todo estão previstos no Programa de Expansão Ferroviária a construção de 13.916 km de ferrovia, ao custo estimado de R$ 61 bilhões.
 
Jaime Barboza apresentou dados que revelam que o setor de transporte é responsável pela geração de 25% do Produto Interno Bruto (PIB), o que representa R$ 190 bilhões. O Brasil, por não possuir um bom sistema de transporte e optar por transportar mais por rodovia do que por ferrovia e hidrovia, tem um prejuízo superior a 3% do PIB. Ainda de acordo com dados apresentados pelo palestrante, equiparado a outros países, o custo do transporte brasileiro equivale a 1,6 vezes mais do que o valor gasto nos Estados Unidos (USA), duas vezes o custo na China; 2,2 no Canadá e; 2,8 vezes o valor gasto na União das Repúblicas Socialistas Soviéticas (URSS).
 
Exemplo disso e da importância dos transportes pode ser viso na análise comparativa do custo de produção e de transporte da soja no Brasil e nos Estados Unidos. Enquanto nos USA o custo de produção de uma tonelada de soja sai por US$ 222 e acrescido ao valor de transporte de US$ 17, alcança a soma de US$ 239, no Brasil, apesar do custo de produção ser bem mais baixo, US$ 190, quando somado ao valor do transporte, que alcança os US$ 67 soma, no total US$ 257. Apesar de sermos um dos maiores produtores de soja, o fato é responsável pela perda na concorrência internacional para comercialização do grão brasileiro.
 
Outro dado trazido por Jaime Barboza diz respeito ao custo do investimento que seria necessário para garantir a integração da ferrovia do País. Segundo Barboza, apenas 10% dos recursos que serão gastos na construção do trem-bala seriam suficientes para a implantação do terceiro trilho nas linhas de 1,60 m garantindo a integração ferroviária de todo o território brasileiro.
Apesar de defender o modal ferroviário por apresentar menores custos de operação e frete, por emitir menos gases poluentes, contribuindo para a melhoria da qualidade ambiental do ar e menor impacto no aquecimento global e, por possuir maior capacidade de carga, o palestrante lembrou que o transporte ferroviário apresenta importantes entraves que precisam ser solucionados como, por exemplo, a necessidade de expansão e integração da malha ferroviária; problemas no acesso e tráfego compartilhado nos principais acessos portuários e grande variação nos tempos de viagem.
Dilma Moura
ASC do Crea-PE