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Rumos da Engenharia Civil do Brasil são discutidos em Salvador

Civil1O conselheiro Roberto Muniz representou o Conselho Regional de Engenharia e Agronomia de Pernambuco (Crea-PE) no workshop da Coordenadoria Nacional de Câmaras Especializadas de Engenharia Civil dos Creas  (CCEEC). O encontrou foi realizado nesta sexta-feira (17), em Salvador. O evento, que reuniu representantes de todos os Creas e teve como tema “Os Rumos da Engenharia Civil no Brasil”, foi aberto pelo coordenador da CCEEC, João Luís Collares, e foi realizado no Hotel Golden Tulip.

Anfitrião do evento, o presidente do Crea-BA, engenheiro mecânico Marco Amigo deu boas-vindas aos conselheiros, destacando a crise que o País enfrenta e a importância de se garantir recursos para que pequenas e médias empresas permaneçam na atividade econômica. “Não é apenas uma questão de garantir emprego para os profissionais, mas de garantir a sobrevivência de todo o Sistema. A sociedade espera posição contundente dos profissionais da área tecnológica“, destaca.

O Crea-BA criou um grupo de trabalho com empresas que estão sofrendo com a crise instalada a partir da operação Lava-Jato. A iniciativa nasceu da participação do presidente no Fórum Nacional de Discussão dos Efeitos da Operação Lava-Jato, proposto pela Câmara dos Deputados. Representando o presidente do Confea, engenheiro civil José Tadeu da Silva, a vice-presidente Ana Constantina falou sobre a necessidade de todos estarem discutindo os problemas nacionais da engenharia civil.

Ensino

Na programação da manhã, os debates ficaram em torno do Ensino da Engenharia no Brasil. O engenheiro Luiz Capraro (PR) defendeu as diretrizes curriculares nacionais específicas para cada curso. Segundo ele, há uma demora no sistema para que o assunto seja tratado e existe uma urgência para que as profissões não sejam prejudicadas. “Estamos acabando com a Engenharia no Brasil. No Paraná, foram seis mil vagas perdidas no ano passado e a expectativa de nove mil neste ano”, observa.

O presidente do Crea DF, Flávio Correia de Souza, afirmou que o curso EaD já é em uma realidade. “São 46 cursos já registrados pelo MEC. O nosso foco deverá ser de acompanhar a avaliação que é feita pelo Ministério aos cursos e dialogar para buscar estar participando ativamente dessas avaliações. O Confea precisa se posicionar firmemente em relação ao assunto”, ressalta.

O coordenador da Câmara de Civil da Bahia, Luís Edmundo Prado de Campos, reiterou que o mérito da discussão em torno dos cursos EaD deve focar a qualidade dos mesmos, pois, com sua experiência em sala de aula e também com a facilidade que hoje os alunos têm com a internet,  é possível ter bons cursos EaD. “É preciso sim, visitar essas instituições e conhecer as condições em que estão sendo realizadas as graduações”.

Presidente da Associação Brasileira de Engenheiros Civis (Abenc), o engenheiro civil Valter Sarmento, falou sobre o Ensino a Distância e deixou algumas reflexões para os representantes dos estados do Brasil, como a necessidade de acompanhamento das atividades educacionais por parte do sistema profissional, que tem intensificado os debates por meio do Conselho Federal de Engenharia e Agronomia. Sarmento levantou ainda a possibilidade de deter a proliferação descontrolada dos cursos de Civil a distância e a realização de exame de suficiência, como forma de defender o interesse público.

Workshop_Civil_geralNo período da tarde foram proferidas as palestras “É possível aprender engenharia a distância?”, “Programa UABEng: o desafio da graduação em engenharia via Educação a distância no sistema de ensino superior público do Brasil” e “O Ensino a Distância na Visão da CCEEC: o registro de engenheiro civil nos Creas”.

Na tarde de trabalhos, o foco da discussão foi a qualidade do ensino de Engenharia presencial e a distância. O tema, que divide opiniões, foi exposto pela conselheira do Crea-BA, Karen Daniela Melo; pelo professor e engenheiro civil João Carlos Teatini e pelo coordenador nacional da CCEEC, João Luis Collares.

A conselheira do Crea-BA apresentou relatos sobre visitas realizadas a unidades de ensino presencial e a distância nos estados de Minas, Bahia e Pará. Relatou que ter registro no Crea-BA é o principal objetivo dos estudantes de EaD e criticou a ausência de muitos professores/tutores, que nunca foram em uma obra. “Fiquei chocada ao assistir uma aula de topografia a distância e mais chocada ainda porque os alunos de EaD não reclamam ou exigem absolutamente nada. Fico bastante preocupada em relação ao mercado profissional para os graduandos que escolheram essa modalidade de ensino”, enfatiza.

Em defesa do EaD no Brasil, o professor João Carlos Teatini explicou que 17% dos jovens de 18 a 24 anos estão no ensino superior e que 75% estão em instituições privadas. Destacou ainda que 40% dos professores da rede básica de ensino não possuem formação superior adequada. “Defendo uma educação a distância de qualidade. O conflito entre educação presencial e a distância tem que desaparecer, é preciso haver uma educação combinada”, afirma.

O coordenador da CCEEC, João Luis Collares, explicou que as instituições de EaD estão concentradas na região sudeste do País (46%), enquanto na região Norte, “onde existem distâncias bem maiores”, estão apenas 6%. “Se existe para reduzir distâncias, não entendo então o porquê de o Sudeste concentrar o maior número de instituições EaD”, provocou.

Collares chamou atenção para a necessidade de aprimoramento dos métodos de ensino à distância e revelou que a CCEEC apresentou proposta de alteração do artigo 28, parágrafos 2 e 3, solicitando a inclusão da Engenharia Civil no Decreto 5773/2006, para que a criação de cursos de graduação em Engenharia Civil – inclusive em Universidades, Centros Universitários e faculdades – seja submetida à manifestação do Sistema Confea/Crea e Mútua, previamente à autorização de funcionamento pelo MEC, como já é feito para os cursos de Direito, Medicina, Odontologia e Psicologia.

No encerramento do workshop,  CCEEC debateu, entre outros assuntos, as interferências de outros conselhos nas atividades dos engenheiros civis e a fiscalização dos Creas em relação às atividades de Engenharia Civil executadas por outros profissionais.

Do Crea-BA

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