A Avenida Canal

Por muito tempo, a Agamenon Magalhães era conhecida como Avenida Canal. Sua construção modificou o cenário por onde passava um canal e viviam famílias de baixa-renda. Na obra, foram removidos 178 mocambos, dos 1,2 mil existentes no trecho entre o Tacaruna e a Avenida Norte. Até hoje há comunidades pobres nessas imediações.

O Recife passava a abranger o tráfego de todos os subúrbios. Quem saísse de Afogados em direção a Olinda, por exemplo, não precisava mais ir ao Centro. “Pensamos em um plano urbanístico que é usado até hoje”, afirma o arquiteto Waldecy Pinto.

Apesar de se tornar uma via estratégica, a Agamenon também se transformou em um calcanhar de Aquiles. Qualquer problema impacta o trânsito em toda a cidade. Talvez por isso, ela é o principal palco de protesto dos movimentos sociais. Basta uma faixa interditada para chamar muita atenção.

Esgotamento

Para se ter uma ideia de como a via está esgotada, a velocidade média geral nos horários é de 18km/h. Segundo o arquiteto Waldecy Pinto, as vias locais foram pensadas para os ônibus. “Infelizmente não foram criadas faixas exclusivas como se projetava originalmente”, revelou. Ainda segundo ele, naquela época não se pensava em ciclovias.

Por Tânia Passos

Matéria publicada, no dia 10 de junho de 2012, no caderno de Vida Urbana do Diario de Pernambuco.