Acreditação para Arquitetura e Agronomia sai em 2010

São Paulo, 06 de novembro de 2009 – O andamento do processo de acreditação de cursos de arquitetura brasileiros no âmbito do Sistema de Acreditação Regional de Cursos Universitários no Mercosul (ARCU-SUL) será debatido no 15º Congresso Nacional da Associação Brasileira de Ensino de Arquitetura e Urbanismo (ABEA), que ocorrerá na próxima semana, entre os dias 11 e 14 de novembro. O tema da palestra foi escolhido porque os cursos de Arquitetura, juntamente com os de Agronomia, foram os primeiros escolhidos para serem acreditados pela Rede de Agências Nacionais de Acreditação (RANA), que reúne representantes dos Ministérios da Educação de todos os países do Mercosul, além de Chile e da Venezuela.

A intenção da organização do evento da ABEA é difundir o tema da acreditação e apresentar o processo já em andamento aos coordenadores de cursos de Arquitetura de todo o País, conforme explica o coordenador da Comissão de Educação e Atribuições Profissionais (CEAP) do Conselho Federal de Engenharia, Arquitetura e Agronomia (Confea), José Roberto Geraldine Júnior. "Temos a estimativa de que mais de 100 instituições de Arquitetura e Urbanismo participarão desse debate para troca de experiências sobre acreditação", aposta.

Há perspectiva de que, já no primeiro semestre de 2010, os cursos de Arquitetura e Agronomia recebam o certificado de acreditação. A previsão é do coordenador do processo ARCU-SUL no Brasil, Sérgio Franco. Ele conta que, ao término das visitas das comissões de professores, que ocorrem atualmente, a Comissão Nacional de Avaliação da Educação Superior (Conaes) analisará os relatórios e decidirá sobre a concessão da acreditação. Depois disso, os pareceres serão levados à RANA para decisão final conjunta.

Processos em andamento

Além de Arquitetura e Agronomia, as áreas de Medicina Veterinária e Enfermagem também passam pelo processo de acreditação do ARCU-SUL. De acordo com a presidente da Conaes, Nadja Maria Valverde Viana, o próximo edital de convocação para acreditação será para algumas especialidades da Engenharia. "Agora iniciamos o processo com as Engenharias, que envolve as áreas Civil, Industrial, de Produção, Química, Mecânica, Elétrica, Eletrônica, além de cursos afins, como Mecatrônica ou Petroquímica, por exemplo", explica ela. Nadja Maria acrescenta ainda que, no próximo ano, serão iniciados os processos para Odontologia e Medicina.

A escolha sobre as áreas a serem convocadas em editais é feita pela RANA. E a tendência é que a implantação seja gradual, explica Nadja. "Os processos demandam muita capacitação de avaliadores, por isso não se pode fazer tudo ao mesmo tempo", diz. Ela informa que os processos de acreditação não ficam abertos em caráter contínuo e que a periodicidade inicialmente prevista é a cada seis meses. "Mas estudamos reduzir o intervalo", garante ela.

Há ainda outros obstáculos apontados por Sérgio Franco. "Uma das maiores dificuldades é a própria execução do processo e da avaliação em função do custo e da dificuldade de trazer estrangeiros para compor as comissões de avaliação. Isso é um grande problema para todos os países porque as legislações são muito nacionalistas", observa ele. Franco afirma que a intenção é ampliar bastante a quantidade de áreas contempladas.

No entanto, há limitações. "Seria impossível estender a todas as áreas devido às diferenças entre os países e a enorme quantidade de áreas", justifica ele. Uma das discussões em andamento é sobre a acreditação de cursos de formação de professores. "Embora seja comum a todos os países participantes, há peculiaridades a serem observadas", alerta Franco.

Benefícios da acreditação

A Conaes espera que a acreditação dos cursos de graduação reflita na mobilidade profissional, pois, conforme acredita Nadja, o processo de validação de diplomas deve ser facilitado. "Não cogitamos extinguir a necessidade de revalidação porque as legislações e as exigências são muito distintas, mas os cursos passarão a trabalhar com os mesmo padrões de valores", afirma ela.

Franco diz que a pretensão é fazer com que os diplomas se equivalham e tenham validade em todos os países. "Mas não é tão simples assim. O selo diz que academicamente são equivalentes, mas não do ponto de vista profissional, que é outro processo", diz ele. Franco também aposta que não só a mobilidade profissional, mas também a estudantil será beneficiada. "Facilita a entrada de alunos vindos de um dos países do Mercosul para fazer pós-graduação e também a migração de alunos em meio de curso, além da migração de docentes", acredita ele.

Em longo prazo, Franco espera que a acreditação seja um sinalizador da qualidade do curso também para o mercado de trabalho. "Com o processo de acreditação teremos indicadores da qualidade da universidade do profissional”. Para Geraldine Júnior, a acreditação de cursos vai refletir na melhoria da qualidade da formação do profissional. "Do ponto de vista do Confea, é muito importante. Desde 1999 temos uma comissão de integração profissional para o Mercosul, que trata da mobilidade de profissionais. Agora, o âmbito acadêmico passa a ser contemplado", comemora.

Por Bruno Loturco

Fonte: Universia Brasil