As potencialidades e os desafios do semiárido são debatidos em Petrolina

“Água não é a única solução para o semiárido”. A afirmação foi do diretor do Instituto Nacional do Semiárido (INSA), engenheiro agrônomo, Roberto Germano Costa, durante palestra que fez na tarde de hoje (02), sobre a Importância Histórica da Bacia do Rio São Francisco para o Semiárido. O tema foi discutido no I Encontro São Francisco, que está sendo realizado sob a coordenação do Conselho Regional de Engenharia, Arquitetura e Agronomia de Pernambuco (Crea-PE), em Petrolina, até a sexta-feira (04).

Segundo o diretor do INSA, órgão representante do Ministério da Ciência e Tecnologia (MCT) junto à Comissão Nacional de Combate à Desertificação (CNCD), o semiárido é uma região de grandes potencialidades, no entanto, para que as essas potencialidades possam ser melhor exploradas, “é necessário quebrar o paradigma da miséria e adotar o paradigma das oportunidades”. Nesse sentido, Roberto Costa aposta que o desenvolvimento do semiárido brasileiro, região com quase 1 milhão de km2 na qual vivem cerca de 23 milhões de pessoas de nove estados brasileiros, dependerá, sobretudo, da mudança da idéia de que a região só avançará econômica e socialmente se dispuser de água em abundância. “Não se pode associar a miséria a clima”, afirmou.

Outro paradigma que na opinião do conferencista tem que ser quebrado, diz respeito às potencialidades da região. “Tão prejudicial como negar a miséria do semiárido é a idealização da irrigação em toda a região”, afirmou o diretor, explicando que apenas 2% das terras do semiárido são passíveis de receber sistemas de irrigação e, portanto, “é necessário modificar a civilização com as cores do ambiente”.

Explorar todas as potencialidades da região é, na opinião de Roberto Costa, o caminho para a obtenção do desenvolvimento sustentável no semiárido brasileiro. “Exemplo dessa capacidade é o desenvolvimento nas áreas irrigadas do polo agroindustrial, que pode ser visto como o Eldorado no semiárido brasileiro”, disse destacando outros potenciais pouco explorados como turismo e lazer, aqüicultura e outros.

“O desafio é conviver com as peculiaridades da região, transformando a semiaridez em uma vantagem”, ressaltou Germano Costa lembrando que para transpor os desafios é necessário haver uma educação de ensino superior contextualizada, focada nas reais potencialidades da região e na inovação, de forma que se possa gerar produtos e serviços com vantagens competitivas, garantindo assim a geração de emprego e renda para a população.

Por fim, Roberto Germano disse que cabe a todos que estão inseridos nos órgãos ligados à ciência e tecnologia a concretização de um pacto visando o desenvolvimento sustentável da região e pediu o empenho do presidente do Crea-PE, José Mário Cavalcanti, na de uma comissão nacional para o semiárido brasileiro que, entre outros, teria o objetivo de prospectar cenários a partir da criação das Bacias. “Nós engenheiros temos o dever moral de desenvolvermos e difundirmos essas tecnologias para melhorar a vida dos brasileiros”, concluiu Roberto Costa.

Dilma Moura

ASC do Crea-PE