Interligar o São Francisco ao Tocantins pode ser a alternativa para a escassez de chuva

“As Mudanças Climáticas e os seus efeitos na Bacia do Rio São Francisco” foi o tema da palestra feita pelo diretor do Instituto de Ciências Atmosféricas (ICAT) da Universidade Federal de Alagoas, PhD em Meteorologia Luiz Carlos Baldicero Molion, na tarde de hoje (quinta-feira) durante o I Encontro do São Francisco, em Petrolina. O especialista foi convidado pela comissão organizadora do evento para contribuir com os debates que estão sendo propostos pelo encontro que tem como eixo temático, “O impacto e as potencialidades da transposição do Rio São Francisco”.

A previsão do pesquisador sobre a questão é que com o resfriamento do planeta seguindo o curso normal das condições climáticas observadas ao longo dos milênios, haverá uma menor quantidade de chuva na cabeceira do Rio São Francisco, especialmente nas Bacias da Serra da Canastra e Serra das Vertentes, ambas localizadas no Estado de Minas Gerais. O fato, que trará como consequência imediata a redução da oferta hídrica com a diminuição da vazão do rio, poderá, segundo Molion, ser minimizado caso se adote algumas medidas de compensação. Entre elas, o palestrante citou “a restauração da mata ciliar, o tratamento de esgoto despejado no efluente, o desassoreamento do leito do rio e por que não, a interligação do São Francisco ao rio Tocantins”, sugeriu.

 

Luiz Carlos Molion explicou que do ponto de vista hidrográfico, um dos maiores problemas do Rio São Francisco é a barragem de Sobradinho. “A barragem tem um espelho d’água muito extenso ocasionando a exposição de uma enorme quantidade de água à atmosfera. Se o reservatório fosse mais profundo evitaríamos uma evaporação de cerca de 400 mil litros por segundo. A perda por evaporação nas barragens de Sobradinho e Itaparica corresponde ao volume de água do rio Colorado, nos Estados Unidos”, lamentou.

 

Para ele, a interligação dos rios Tocantins e São Francisco é uma alternativa técnica que “funcionaria como uma torneira que só seria aberta quando fosse necessário. Assim, seria possível manter a cota de operação baixa reduzindo a quantidade de evaporação o que aumentaria a disponibilidade hídrica para, por exemplo, irrigar mais terras no Vale”, defendeu Molion

 

Com relação ao que ele considera mitos do aquecimento global, foi taxativo. “Não há comprovação nenhuma de aquecimento global. Muito pelo contrário há expectativa de um grande resfriamento. A idéia de que o gás carbônico é o gás tóxico e o grande vilão foi disseminada por pesquisadores da NASA que, por interesses econômicos, insistem nessa teoria. Para se ter uma ideia só este ano está garantido o investimento de 2,6 bilhões de dólares na pesquisa de aquecimento global”, revelou.

Na opinião do meteorologista, a anomalia do aquecimento está no adensamento urbano visto que 55% da população global vivem nas grandes cidades. No Nordeste, 80% das pessoas estão concentradas nos centros urbanos. Segundo o pesquisador, o aquecimento é o efeito das ilhas de calor urbano. “O clima está mudando por causa dos seres humanos. Estudos provam que o resfriamento global não será bom. Eventos externos como geadas, secas, tempestades, maremotos, tsunamis, sempre ocorreram com o clima frio ou quente”, explicou. Na oopinião do professor, “a crise não é climática e sim energética”.

Finalmente, nas suas considerações finais, Luiz Molion defendeu a conservação ambiental como de extrema necessidade para a sobrevivência da espécie humana. "Muitas espécies já desapareceram por falta de conservação ambiental temos que nos conscientizar e lembrar que em 2040 o mundo será habitado por nove bilhões de pessoas”, concluiu.

 

Dilma Moura

ASC do Crea-PE