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Terça no Crea debate eficiência energética, potencial natural do Brasil e a relação com a consciência ecológica

Mais um Terça no Crea foi transmitido pela live do Conselho no Instagram no dia 30.06. O presidente Evandro Alencar recebeu o Doutor em Engenharia Civil e especialista em Gestão Ambiental Ary Rodrigues Alves Netto, palestrante sobre o tema Eficiência Energética versos Fachadas. 

O palestrante iniciou com explicação de que eficiência energética é essencial nas edificações, proporcionando conforto às pessoas com consumo de menos energia. Segundo Ary Netto, em termos de uso e aplicação de alternativas que têm esse propósito o Brasil ainda é um bebê.  “ No último levantamento divulgado pela Agência Nacional de Energia Elétrica (ANEEL), o País produziu, no ano passado, 7 mil GW de energia. Desse total, 4,8 GW produzido por Usinas, 1 GW por meio de energia eólica e, o restante produzido por meio da energia térmica e fotovoltaica”, disse lembrando que é muito pouco para um país que tem sol e vento em abundância durante todo o ano.

“Do consumo de toda energia gasta no Brasil, as edificações ficam com uma expressiva fatia de 50%. Desses, 30% é gasto na envoltura (fachadas) das edificações, 30% na iluminação e o restante gasto com ar condicionado”, continuou o palestrante.

No que se refere às fachadas, Ary Netto disse o consumo pode ser diminuído com o uso de novas tecnologias, o uso do BIM para ajudar na elaboração de projetos, ressaltando que ainda assim, os materiais usados são os protagonistas dessa história, como por exemplo, o uso de películas de baixa emissividade.

Ainda de acordo com o palestrante, a Alemanha é o país onde mais se produz energia fotovoltaica. E que em Portugal as placas são também as telhas das edificações, enquanto nós que temos fatores naturais ao nosso favor, usamos apenas 0,5% desse tipo de energia. “É necessário que os brasileiros se apropriem dessa tecnologia e invistam no melhor aproveitamento dessa tecnologia”, aconselhou.

Perguntado pelo presidente Evandro Alencar que materiais estariam sendo mais usados para essa finalidade no pais, Netto explicou que são os vidros. “Nesse material tivemos um bom desenvolvimento. Nos demais, estagnamos no que se refere ao avanço tecnológico. Por todos os elementos naturais que temos no Brasil, a nossa matriz energética poderia ser totalmente fotovoltaica”, lamentou mais uma vez o palestrante.

Netto informou que o estudo de eficiência energética feito para a construção de uma edificação pode, a exemplo do que já temos em Pernambuco, dar a edificação o selo Procel de Economia de Energia.

Na opinião do palestrante, para que o Brasil desponte na produção de energia renovável é necessário o despertar para uma nova realidade. Observar que o mundo está entrando em colapso e que podemos nos adiantar criando alternativas antes do problema se instalar.  Disse ainda que o Terça no Crea é maravilhoso, um excelente projeto, espaço aonde as pessoas podem aprender e disseminar o que já aprenderam em benefício de todos.

Para algumas das perguntas que respondeu Ary Netto, disse que o cobogó é uma alternativa viável para aproveitamento do sol, no entanto, é necessário verificar se o vento que entra é suficiente para deixar o espaço interno refrescado. Mensurar o tempo necessário para que se tenha o retorno financeiro aplicado numa construção com eficiência energética não é um dado fácil de se informar por diversos fatores, entre os quais, os materiais utilizados. Quanto a adaptação de uma casa já construída para atender aos requisitos de eficiência energética disse ser possível, sim.

Ainda no que se refere à disseminação dos conhecimentos para projeto e execução de edificações e para a tomada de consciência das pessoas sugeriu a criação de cartilhas manuais, panfletos e outros com linguagem acessível, alteração na forma de se medir o gasto de energia, colocando o equipamento dentro de casa onde todos pudessem ver o quanto é gasto no uso dos objetos, no acender das luzes etc. Segundo o palestrante, a mudança promoveu uma mudança drástica nos hábitos da população.

Na Austrália, fizeram uma experiência com duas famílias para saber quem utilizaria mais energia, a família que foi instalada numa casa construída para dar resultados de eficiência energética ou os moradores de uma outra casa igual, só que sem nenhum detalhe para economia de energia. Depois de 2 meses foi verificado que as pessoas da casa normal gastaram menos energia por que elas tiveram consciência na utilização da eletricidade.

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