Educação ambiental e Novo Código Florestal foram debatidos no 3º Seminário de Arborização

 

Uma tarde de muita reflexão. Foi o que levaram as palestras aos participantes desta quinta-feira (01) no 3º Seminário Pernambucano de Arborização Urbana. Temas como educação ambiental e os impactos do novo código florestal foram amplamente discutidas por profissionais e estudantes das áreas tecnológicas. As explanações provocaram a platéia que interagiu bastante. Outra apresentação, mais técnica, envolveu o grupo com a mostra de equipamentos usados na irrigação de áreas verdes.
 
O biólogo doutor Marco Aurélio Locateli Verdade, gaúcho de Porto Alegre, diretor do Centro de Educação Ambiental da Secretaria de Educação do Rio Grande do Sul, levou os participantes a refletir sobre educação ambiental e sustentabilidade. “Não adianta apenas plantar uma árvore, tem que cuidar dela e fazer com que sobreviva durante muito tempo”, disse.
 
O palestrante citou a necessidade das pessoas aprenderem a ter uma nova atitude e percepção. Para Marco Aurélio, uma das principais formas de educar é a informação em sala de aula porque a cultura, de certa forma, está enraizada. “É difícil dizer para o meu pai de 80 anos para mudar os hábitos. Nossa maior ferramenta de mudança é a criança, sem deixar de trabalhar o adulto, claro, porque o meio ambiente não pode esperar”, informou.
 
Locateli brincou com a arborização da cidade. “Petrolina poderia se chamar Petrolíndia, porque a maioria das árvores plantadas nas ruas é exótica, de origem indiana. No pouco tempo que estamos aqui já vimos muita leucena, fícus, neem e mangueira. Seria interessante plantar espécies nativas que poderiam fazer parte da arborização resgatando a identidade do município. Entre elas, a imburana de cambão, a jurema e o juazeiro”, explanou o biólogo.
 
Complementando a palestra de Marco Aurélio, a bióloga e pedagoga, Tatiani Roland Szelest, coordenadora do Centro de Educação Ambiental, apresentou o tema Árvores Urbanas e Educação Ambiental: prática tarefeira ou conectada? Levando também a um momento reflexivo. Perceber, sensibilizar, refletir e agir foram as palavras empregadas pela palestrante. Tatiani comparou o encalhe de uma baleia na praia a devastação das árvores de uma cidade motivada por uma poda sem cuidados, sem conhecimento técnico. “Porque as pessoas sentem tanto uma baleia encalhada, comovendo a sociedade, chamando a atenção da imprensa e nem sequer comentam sobre árvores destruídas? Qual a diferença entre a vida de uma baleia e a vida dos indivíduos arbóreos? São seres vivos e as árvores estão na história da humanidade porque representam a vida. O meio ambiente é a nossa casa”, completou a bióloga.
 
 Tatiane Roland ressaltou os benefícios da arborização urbana: reduzem a poluição do ar, provocada principalmente pela queima de combustível dos veículos automotores e indústrias; minimizam a poluição sonora, equilibram a temperatura da cidade, servem de habitat para os pássaros, protegem o lençol freático, fornecem sombra, entre outros.
 
Uma discussão bastante polêmica sobre Os impactos do Novo Código Florestal foi conduzida pelo engenheiro florestal Marcílio Viana Luna Filho, presidente da Associação Pernambucano de Engenheiros Florestais (APEEF). Marcílio pontuou as questões mais polêmicas, entre elas, a anistia aos desmatamentos ilegais até junho de 2008, diminuição da faixa de APP em Mata Ciliar, a isenção de Reserva Legal (RL) para propriedade de até quatro módulos fiscais, somatório das áreas de APP com RL para definir a área de preservação de propriedade, a emenda 164, onde os estados definiriam de fato o que pode ser cultivado nas APPs e a segurança jurídica aos produtores rurais.
 
O engenheiro falou sobre os impactos imediatos, o aumento do desmatamento apenas com a possibilidade da aprovação do novo código e os prejuízos na destruição de mata ciliar. “Quando se extingue a mata ciliar a água vai se acabando. Com a enchente de Palmares, as pessoas passaram dois meses para tirar a lama das ruas. Isso porque a lama vem do assoreamento dos rios quando se retira a mata ciliar”, explicou Luna. “Não é a comunidade internacional que deve opinar sobre nossas questões. Isso é uma questão de soberania nacional”, esbravejou o engenheiro florestal.
 
Com uma apresentação mais prática, o inspetor do Crea-PE, Urbano Lins, palestrou sobre a Utilização da Irrigação em Áreas Verdes. O engenheiro agrônomo levou modelos de aspersores para irrigação. “Quando fazemos uma casa com um bom projeto de jardim, nós agregamos valor e bem estar ao imóvel”, disse Urbano. Além de jardins residenciais, Urbano mostrou imagens e técnicas para a irrigação de praças, jardins em áreas públicas e condomínios, áreas esportivas e campo de futebol. No final do dia, o engenheiro civil Gaio Camanducaia apresentou palestra institucional sobre o Sindicato dos Engenheiros de Pernambuco (Senge-PE).
 
Vanessa Bahé
ASC Crea-PE