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Futuro da Bioenergia é tema de palestra do físico Wolfgang Bauer

Brasília, 28 de julho de 2016.

“O futuro da bioenergia” foi o tema apresentado por Wolfgang Bauer, físico nuclear alemão, que na manhã da quinta-feira (28) falou para os participantes da “Conferência internacional Água e Energia: Novas abordagens sustentáveis”. Promovida pelo Confea, Febrae, Upadi e FMOI, com o apoio de órgãos ligados ao governo, entidades de representação profissional nacionais e internacionais, Unesco e OEA, a conferência termina amanhã e é realizada no Centro Internacional de Convenções do Brasil.

Otimista e ao mesmo revelando sua preocupação com a energia produzida a partir de combustíveis fósseis, Wolfgang Bauer pensa na realidade do aquecimento do planeta como uma oportunidade para buscar novas e interligadas fontes, entre elas a energia nuclear que defendeu: “Energia equivale a dinheiro. Essa é a única equação. A prosperidade do mundo depende disso. Eu me preocupo com a qualidade do ar há 20 anos. O dióxido de carbono vem aumentando exponencialmente desde 1850, e sendo ou não radioativo, permanece na atmosfera por 20 anos. A queima de combustíveis fósseis vai aumentar o aquecimento”.

Morando nos Estados Unidos, Bauer ironizou Donald Trump, candidato Republicano à presidência daquele país: “Trump diz que aquecimento global é uma invenção chinesa, enquanto 16 bilhões de dióxido de carbono são lançados na atmosfera por ano, gerados por atividades humanas. O CO2 depois que entra na atmosfera permanece por muitas décadas”, ensina o professor. “Peguei a concentração de carbono 14, natural da atmosfera, mas que foi aumentado nos anos 50 com as explosões de armas nucleares. Com os testes proibidos desde 1963,  no CO2  vem se reduzindo. Está se decompondo nos últimos 50 anos com meia vida de 16 anos. Isso é a meia vida de CO2 que permanece na atmosfera”.

 

Fusão nuclear pode ser a solução

Visivelmente apaixonado pelo tema, Bauer disse que durante a viagem para o Brasil, produziu um mapa que sendo Zero o ano de 1850, pretende revelar o aumento da temperatura que se expande no mundo nos próximos 166 anos. “Em todos os lugares do planeta está ficando mais quente com o passar dos anos. E a energia nuclear faz parte da equação para reduzirmos o aquecimento na Terra. Talvez a fusão nuclear seja o futuro, não sei. Precisamos de energia eólica, solar, nuclear.”

“Conservar significa economizar dinheiro”, continua ensinando o doutor em física nuclear: “O tempo de retorno para o investimento inicial dessas tecnologias precisa ser considerado. A usina solar de Nova York custou 300 milhões de dólares, foi muito caro para a instalação de 32 megawatts de capacidade. Levarão mais de 60 anos para pagar. Se Belo Monte ainda não foi completada ao custo de 19 bilhões de dólares, tem capacidade de 11.2 gigawatts e o investimento retorna em dois anos. Isso é muito bom”.

Esperançoso com as tecnologias que podem tornar a energia mais barata, lembrou da China que investiu em painéis solares e isso reduziu o preço do watt gerado de 165 dólares  em 1976, a dois centavos de dólar em 2000. Outro exemplo chinês é um ônibus impelido por diversos capacitadores, melhores que pilhas e baterias. Em cada ponto, o ônibus se carrega e recarrega na rede elétrica. Em Xangai, a cidade economiza 200 milhões de dólares/ano em combustível. Citou a economia da Alemanha,que armazena a energia não utilizada e os incentivos fiscais que em alguns países promovem o desenvolvimento de biocombustíveis líquidos. Bauer não se esqueceu do gás biológico, gerado do milho fermentado com esterco de vaca. “As bolhas que saem dessa mistura são coletadas e produzimos energia e combustível”. Mas Bauer acha que o etanol a base de sacarose não  tem apresentado bons resultados. “Biocombustível de etanol de sacarose é um fracasso, na minha opinião”, afirmou.

Para o futuro, Bauer vê duas opções: usar a digestão anaeróbica da cana-de-açúcar ou processar o esgoto. Como exemplo, disse que o esgoto não tratado e jogado na Baía da Guanabara poderia gerar energia a custo zero, depois de construída a usina original. Para o físico, o Brasil apresenta um portfólio atrativo para investidores por ter sol a maior parte do ano, ventos fortes o suficiente para gerar a energia eólica: “Resolver problema de energia é resolver o problema da água”, disse categórico.

 

Fonte: Equipe de Comunicação do Confea

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