Mobilidade urbana é gargalo para a Copa no Recife

As chuvas que ocorrem nos últimos dias no Recife, ocasionando diversos problemas no trânsito da capital, com atrasos de deslocamento, dentre outros problemas, deram uma pequena mostra da necessidade de obras de infraestrutura para mobilidade urbana na cidade. Essa foi uma das preocupações apresentadas pelas autoridades que participaram da abertura da 4ª audiência pública Confea/Crea em Campo, nesta terça-feira, 19 de abril, na capital pernambucana, uma das 12 cidades-sede da Copa 2014. Mais de 200 pessoas participam do evento.

Como aconteceu em 1950, com a realização da Copa no Brasil, o evento abre uma nova oportunidade de transformação da economia brasileira, na opinião do Crea-PE, José Mário Cavalcanti. Para ele, é necessário que os recursos destinados às obras da Copa sejam aplicados em benefício da sociedade. Em recente visita técnica à construção da arena para os jogos da Copa, na Região Metropolitana do Recife, José Mário manifestou preocupação com a falta de informações sobre o início das obras de mobilidade urbana na cidade.  “As obras do estádio estão dentro do cronograma, mas como as pessoas vão chegar até aqui?”, indaga.

O presidente do Confea, Marcos Túlio de Melo, abordou a necessidade da transparência nos investimentos, inclusive com o detalhamento técnico dos projetos, e não apenas com o  cronograma. Ele alertou para a necessidade de garantir o cumprimento da legislação sobre acessibilidade em todos os equipamentos que serão construídos. Embora mais tranquilo em relação às obras do aeroporto, ele apontou como um dos gargalos das cidades-sede a precariedade da rede hoteleira. “A situação atual, antes da Copa, já é de falta de leitos”, disse. Sobre a transparência, ele frisou a necessidade de os projetos apresentarem orçamentos precisos, para evitar aumento de custo, como aconteceu com as obras dos Jogos Panamericanos, em 2007, no Rio de Janeiro.

Para as obras da Copa no Recife, só estão “acertados” recursos para o estádio, obras de infraestrutura, reforma do porto e do aeroporto, segundo o secretário Extraordinário da Copa, Sílvio Bompastor, que representou no evento o governador Eduardo Campos. “Nada de saúde, educação, turismo, tecnologia da informação ou segurança” informou. Segundo ele, há dois anos o governo estadual apresentou ao Ministério das Cidades uma estimativa de R$ 5 bilhões para as obras. Na ocasião, esse era o valor previsto pelo Governo Federal para todas as 12 capitais.

Também participaram da abertura da audiência, o secretário executivo da Copa no  Recife, Amir Schivartz, o presidente da Câmara de Vereadores do Recife, Jurandir Liberal, o secretário executivo da Copa de São Lourenço da Mata, Renato Trajano, além dos presidentes do Crea-BA, Jonas Dantas, do Crea-MA, Raymundo Portelada, do Crea-PR, Álvaro Cabrini, do Crea-SP, José Tadeu da Silva. Também estavam presentes os conselheiros federais Cleudson Campos, José Luiz Mota Menezes, Martinho Nobre e Risale Neves de Almeida.

Aloísio Lopes
Assessor de Comunicação do Confea