O futuro das organizações do Sistema foi amplamente discutido no último dia da Soeaa

No último dia da 67ª Soeaa, o primeiro painel da manhã desta quarta-feira (25), sobre o tema, A Visão do Futuro das Organizações do Sistema Confea/Crea/Mútua, teve a participação do presidente do Confea, Marcos Túlio de Melo, do presidente da Mútua, José Wellington da Costa, do coordenador do Colégio de Presidentes do Sistema Confea/Crea e presidente do Crea-BA, Jonas Dantas e, do coordenador do Colégio de Dirigentes de Entidades de Classe (CDEN), René Bayma.

A proposta foi debater o futuro das organizações de todas as categorias profissionais que, na opinião do presidente do CDEN, não podem ficar apenas pensando e planejando, “precisamos ter ação efetiva e concreta de curto prazo”, disse, acrescentando que é necessário organizar esforços para se fazer um trabalho que envolva os profissionais, as entidades nacionais e estaduais.

Para Bayma, resgatar a história do Congresso Nacional de Profissionais (CNP), desde o primeiro encontro, é importante para avaliar melhor os próximos congressos e redirecionar as próximas ações. “É preciso mapear e implantar o planejamento estadual em todas as entidades. Se não tivermos isso dentro das nossas entidades não poderemos avançar”, garantiu.

Outro ponto importante para o futuro das organizações, na opinião do palestrante, é a visibilidade. “A sociedade pede socorro ao Sistema. Precisamos ter um posicionamento público com foco na defesa da sociedade, assim, vamos nos tornar muito mais importantes do que somos hoje” afirmou, Bayma.

Sobre a questão da sustentabilidade, René Bayma disse haver um projeto de certificação profissional em andamento, que representará um divisor de águas no Sistema/Confea/Crea.

Para o coordenador do CDEN, também é necessário o aprimoramento dos associados das entidades de classe, por meio da educação continuada, hoje possível, por meio da Internet.

Por fim, Bayma defendeu a partição na origem dos percentuais destinados nas Anotações de Responsabilidade Técnica (ART) e a sustentabilidade financeira das entidades.

Em seguida, o coordenador do Colégio de Presidentes do Sistema/Confea/Crea, Jonas Dantas, falou da importância de politizar os debates do Sistema “A política é a essência da vida. Vamos fazer política em todos os espaços que tivermos” disse, criticando mais uma vez, a ausência dos candidatos à Presidência da República, no painel da manhã do dia anterior.

Sobre a importância dos profissionais, o coordenador do Colégio de Presidentes disse que, “precisamos consignar a nossa importância sobre o ponto de vista de organização e da mobilização para mostrarmos a nossa importância”.

Com relação à visão de futuro, o presidente do Crea-BA, Jonas Dantas, chamou a atenção para o fato de que tudo que seja proposto atenda ao que estabelece a Lei nº 5.194/66, principalmente, nos artigos 24 e 25.

Destacando os desafios para 2015, com o cumprimento das Metas do Milênio, definidas pela Organização das Nações Unidas (ONU) e, em 2022, o Bicentenário da Independência onde, segundo o palestrante, o eixo principal será a formação profissional. “É necessário que a formação profissional seja revista e discutida nos meios acadêmicos para podermos ver qual o profissional que precisamos para alcançar o desenvolvimento que garanta, por exemplo, o resultado anual de, no mínimo, 7,5% do Produto Interno Bruto (PIB).

Jonas Dantas defendeu também, um Plano de Desenvolvimento Urbano que contemple o acesso de todo cidadão brasileiro a água. Com relação à Reforma Urbana, disse que os projetos da área têm que ser feitos de modo a atender às necessidades da sociedade. “Não podemos pautar o desenvolvimento urbano em função dos grandes projetos. Desenvolvimento tem que ter foco nos interesses da sociedade”, opinou, acrescentando que o acesso ao espaço urbano está garantido ao cidadão pelo Estatuto das Cidades, o qual determina ainda que, ele seja provido de infraestrutura urbana, habitação, saneamento, sistema viário e transporte intermodal.

O presidente da Mútua, José Wellington da Costa, falou aos presentes sobre as ações da Mútua e que a Caixa tem um patrimônio de aproximadamente R$ 350 milhões, além de imóveis que já foram adquiridos ou estão em fase de aquisição. José Wellington também anunciou novas modalidades de associação e benefícios.

Por fim, o presidente do Confea, Marcos Túlio de Melo, contextualizou a importância do Sistema do ponto de vista organizacional. “Temos que entender a grandeza e a complexidade desse sistema profissional que é autárquico federal, com subsistema associativo, subsistema sindical, subsistema educacional, subsistema assistencial, além da Mútua.

Ainda para mostrar o tamanho da engrenagem e a dificuldade de entender os papéis de cada um dos organismos dela, Marcos Túlio se dirigiu a platéia desafiando quem responderia às seguintes questões: quem é quem, e quem faz o que dentro do Sistema? O presidente ainda perguntou: o Crea pode representar a categoria? O Confea pode representar a categoria? E, diante do silêncio da platéia, respondeu ele mesmo que não. “Tanto o Crea quanto o Confea, são órgãos públicos que têm a obrigação de defender os interesses da sociedade. Se não soubermos o que cabe a cada um, vamos ter alguém fazendo errado aquilo que caberia a outro fazer certo. Se não compreendermos as atribuições e o papel de cada um, teremos dificuldade para enfrentar o futuro”, sentenciou Marcos Túlio.

Dilma Moura de Cuiabá (MT)

ASC do Crea-PE