Candidatos à presidência não participam da 67ª Soeaa e abrem espaço para discussão histórica

Apesar da ausência, anunciada no final da tarde de ontem, dos candidatos à Presidência da República, os participantes da 67ª Soeaa tiveram uma rica oportunidade de discutir, na manhã desta terça-feira (24) projetos constantes das propostas que serão encaminhadas aos candidatos sobre o desenvolvimento sustentável brasileiro. A discussão se deu com apresentação de propostas que serão encaminhadas aos candidatos à presidência e pela primeira vez, na história da Soeaa, com a palavra franqueada ao público presente.

O painel, coordenado pelo presidente do Conselho Federal de Engenharia, Arquitetura e Agronomia (Confea), Marcos Túlio de Melo, o coordenador do Colégio de Presidentes do Sistema Confea/Crea, Jonas Dantas, e o coordenador do Colégio de Entidades, Renê Bayma, foi um dos mais prestigiados pelo público da Soeaa, contrariando as expectativas dos organizadores, já que, os candidatos não aceitaram participar do evento.

Profissionais e estudantes presentes ao maior evento nacional promovido pelo Sistema Confea/Crea demonstraram indignação com os três principais candidatos à Presidência. Dilma Rousseff (PT), José Serra (PDSB) e Marina Silva (PV) que apesar de terem sido convidados há meses e, apesar da insistente procura da coordenação do Soeaa, não compareceram ao debate, “Esse é um debate da maior importância para o País e a contribuição da nossa categoria é fundamental. Gostaríamos que os candidatos estivessem presentes porque poderíamos aprofundar a discussão sobre o futuro do País que queremos”, afirmou Marcos Túlio.

O presidente do Colégio de Presidentes, Jonas Dantas, lamentou e criticou a ausência dos candidatos a mesma postura adotou Renê Bayma.

A discussão sobre o desenvolvimento sustentável brasileiro foi bastante produtiva com a participação de 38 pessoas, entre engenheiros, arquitetos, geólogos e estudantes de vários estados que apresentaram propostas para finalização do projeto que deverá ser encaminhado até novembro aos governadores e presidente eleitos no pleito de outubro de 2010.

Até o momento, as propostas consistem num amplo estudo dividido em vários temas. No caso do pré-sal, o mote é a soberania e financiamento da sustentabilidade. No transporte, a racionalização das matrizes para evitar a dependência excessiva do sistema rodoviário. Na questão do espaço urbano, o setor é dividido em três áreas: espaço urbano, que deve assegurar a função social da terra urbana, a mobilidade urbana, com priorização do transporte coletivo para garantir o direito pleno às cidades, e o saneamento básico, com vista à universalização do serviço de água, coleta de lixo, tratamento esgoto e resíduos sólidos no prazo de 20 anos.

No espaço rural, a sugestão é para o fortalecimento da reforma agrária e incentivo à pesquisa. Em relação ao meio ambiente, há sugestões para desenvolvimento com sustentabilidade, proteção aos recursos hídricos, entre outros. Na infraestrutura continental, é a integração da América do Sul, assim como incentivo à ciência, tecnologia e inovação, o que deve ser feito com independência e autonomia.

Durante o painel, os profissionais fizeram também propostas a serem defendidas pelo Sistema Confea/Crea. O engenheiro Nelson Guedes, conselheiro do Crea/RJ, defendeu proposta de que os cargos comissionados nas áreas técnicas sejam ocupados através de concurso público para profissionais da área. O engenheiro Joel Mauro, do Crea/RJ, defendeu também a elaboração de um estudo para reduzir a burocracia para que propriedades rurais sejam beneficiadas com a proposta de remuneração para seqüestro de carbono.

Dilma Moura de Cuiabá (MT)

ASC do Crea-PE