Perspectivas profissionais no País do futuro

O futuro das profissões no Brasil, foi o tema do painel da Soeaa na tarde de hoje (24), que teve como âncora o presidente do Instituto de Pesquisas Econômicas Aplicadas (Ipea), Marcio Porchman e como debatedores o gerente geral da Universidade Petrobras, engenheiro naval Ricardo Salomão; o arquiteto Gustavo Araújo Penna, do Instituto dos Arquitetos do Brasil em Minas Gerais e o consultor de agronegócio e ex-ministro da Agricultura, Alysson Paolinelli.

Para Márcio Porchmann, na realidade atual, destaca-se principalmente a velocidade em que as mudanças ocorrem, não apenas no ambiente profissional, mas na sociedade como um todo. “O estudante já sai da faculdade defasado. O ensino superior não tem mais aquela função estanque, em que o egresso ia para o mercado de trabalho e não estudava mais”. O palestrante afirma ainda que, o ensino superior passou a ser o “piso” e não mais o “teto” da formação profissional.

Pochmann afirma que para o Brasil protagonizar o nível de desenvolvimento que se desenha, “tem que ter uma moeda que circule internacionalmente, coisa que não ocorre hoje. Precisa de um sistema de segurança em função da exploração do pré sal e por deter grande parte da água doce no mundo – itens que exigem mais cuidados com a segurança nacional. Precisa, ainda, desenvolver um sistema nacional e de difusão de tecnologia”.

O País com uma população de quase 200 milhões de habitantes e apenas 80 mil doutores, que tem apenas 13% de sua população de jovens entre 18 e 24 anos matriculados no ensino superior, tem, na opinião de Pochmann, que “apostar na formação de qualidade de novos profissionais”.

Com relação à Agricultura brasileira, o consultor de agronegócio e ex-ministro da Agricultura, Alysson Paolinelli criticou duramente o Governo Federal pela ausência de projetos estratégicos para a área. “O Brasil hoje tem inteligência, tem competência e, não podemos perder esse viés. Eu também já fui Governo. Governo só resolve o que está lhe apertando”.

O palestrante disse que, “Acabaram-se as políticas públicas. Não temos crédito e nem Seguro Rural”. Alysson também alertou para o fato de que o novo profissional tem que enfrentar a ausência de órgãos estaduais citando que das 17 instituições estaduais existentes, sobraram apenas seis.

Depois de falar sobre o nível intelectual dos profissionais da Agronomia no Brasil, comparando o nível de formação dos candidatos de concursos realizados há alguns anos com os atuais, Paolinelli afirmou que hoje os inscritos, na grande maioria, são profissionais pós-graduados. Mas, apesar disso, Alysson Paolinelli disse “temos conhecimento, mas precisamos de mais. Sem conhecimento não conseguiremos manter a competitividade”.

De Cuiabá (MT), Dilma Moura

ASC do Crea-PE

Com informações da Ascom do Confea