Passo decisivo para viadutos

Hoje, mais um passo será dado para tirar do papel o polêmico projeto de construção de quatro viadutos sobre a Avenida Agamenon Magalhães, principal corredor viário do Recife, na região central da cidade. Serão abertos os envelopes com as propostas das empresas interessadas em executar as obras, orçadas em R$ 132 milhões. O governo acredita que até o fim de abril o processo licitatório esteja concluído. O cronograma, no entanto, depende de um ponto crucial: o pagamento das indenizações. Para viabilizar os elevados, 31 imóveis terão que ser desapropriados. A Secretaria das Cidades afirma que a negociação já começou e está avançada. Mas proprietários de prédios que serão demolidos, ouvidos pela reportagem, garantem que nenhuma conversa foi iniciada, sequer foram procurados para discutir valores.Do dinheiro previsto para a construção dos viadutos, R$ 35 milhões serão destinados apenas para o pagamento das indenizações. O secretário das Cidades, Danilo Cabral, afirmou que o ambiente está favorável para a negociação. “Já iniciamos entendimentos com alguns proprietários. Há casos em que a conversa já está amarrada”, garante Danilo Cabral, sem, contudo, informar os nomes das empresas e donos de imóveis que estão em processo de acordo mais adiantado. “Este não é o momento para falar em nomes, mas o ambiente é muito positivo. Temos uma orientação do governador no sentido de levar a negociação ao máximo do limite do poder público. Isso facilita na hora de definir os valores”, explicou o secretário.

Um dos principais motivos para o atraso na entrega de obras públicas, as desapropriações envolvem, no caso da construção dos quatro viadutos, grandes e pequenos proprietários. Mas o secretário não teme que o impasse na definição dos valores a serem pagos venha a ser um entrave para a construção dos elevados. “O governo do Estado está criando uma estrutura própria dentro da Procuradoria-Geral do Estado só para cuidar da questão das indenizações envolvendo obras de grande porte. Isso, com certeza, vai ajudar a acelerar o processo.”

Apesar da confiança demonstrada pelo secretário Danilo Cabral, da parte dos proprietários dos imóveis que serão demolidos o clima é de total indefinição. Os donos de prédios que estão no caminho dos viadutos afirmaram que, até agora, não foi iniciado nenhum tipo de negociação. Nem mesmo informalmente. “Não fomos procurado para nada. Nenhum valor foi discutido, estamos ainda confiantes de que o projeto poderá ser revisto”, afirma Luiz Vilela, presidente do Clube Português, um dos imóveis atingidos pelo empreendimento, que avançará uma área de 7,7 metros quadrados sobre o terreno do clube.
Um projeto alternativo para construção de um viaduto único foi apresentado por empresários e moradores da área, mas a proposta foi descartada pelo governo. A Secretaria das Cidades alega que a construção do corredor Norte-Sul só pode ser viabilizado com os quatro viadutos da Agamenon Magalhães. Segundo o governo, o traçado alternativo não alteraria a velocidade do fluxo de veículos e não melhoraria a vida dos pedestres.

Entre os imóveis que serão demolidos estão o Colégio Contato, na Rua Dom Bosco, e o supermercado Bompreço, no Parque Amorim, ambos no bairro da Boa Vista. As principais reclamações dos moradores são que o acesso às próprias casas seria dificultado e que perderiam privacidade por causa da altura dos viadutos, que passariam ao lado das janelas dos imóveis. “Não houve espaço para nenhum tipo de negociação. Do ponto de vista técnico, o projeto é totalmente questionável. Vamos brigar até o último momento para evitar que esses elevados sejam construídos”, afirma Lúcia Helena Barbosa, moradora da Rua Bandeira Filho, onde será erguido um dos viadutos.

Fonte: Blog PE Investimentos / Jornal do Commercio