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Trânsito se tornou um problema para muitas cidades brasileiras

Brasília, 21 de setembro de 2009 – Em meio ao um contingente de quase 190 milhões de habitantes (IBGE 2007) circulam 55,9 milhões de automóveis. Aproximadamente um carro para cada três pessoas. Com esses milhares de automóveis nas ruas, as cidades parecem menores a cada dia. Governos de municípios, já não veem mais solução para o problema dos quilométricos engarrafamentos. O pior é que, a cada ano, mais três milhões de carros são postos em circulação.

O Código de Trânsito Brasileiro, art. 320, prevê que os valores arrecadados com multas devem ser aplicados, exclusivamente, em sinalização, engenharia de tráfego, de campo, policiamento, fiscalização e educação de trânsito. São arrecadados, por ano, R$ 3 bilhões com multas. Já os gastos públicos com acidentes somam, aproximadamente, R$ 28 bilhões, gastos com resgate de acidentados, tratamento e reabilitação das vítimas e reparo de danos materiais.

Os acidentes de trânsito, atualmente, não estão mais sendo vistos como meras fatalidades, mas sim, provocados, na maioria das vezes, por negligência e irresponsabilidade dos condutores. Diante disso, entidades do País e alguns municípios brasileiros se unem no Dia Mundial sem Carro, amanhã (22), e comemoram com a campanha Jornada na Cidade sem Meu Carro.

Neste dia, as cidades que aderirem à iniciativa vão incentivar os moradores a saírem de casa sem carro, utilizando o transporte público. No município do Rio de Janeiro, por exemplo, será disponibilizada 100% da frota de ônibus, além de redução de intervalos das linhas de ônibus e metrô.A atitude tem como objetivo provocar a reflexão sobre poluição do ar; emissão excessiva de gases de efeito estufa; congestionamentos e problemas, como estresse, desencadeados por eles; educação no trânsito e meios de transportes alternativos aos carros.

Para o presidente do Conselho Federal de Engenharia, Arquitetura e Agronomia (Confea), Marcos Túlio de Melo, como medida para diminuir o impacto da crise financeira mundial no Brasil, foram cometidos os mesmos erros do passado. “Ao invés de investir na melhoria do transporte público e de alternativas mais viáveis para mobilidade urbana, mais uma vez, incentivou-se a indústria automobilística com a redução do Imposto sobre Produtos Industrializados – IPI”, avaliou.

Segundo o coordenador do Movimento Nacional pelo Direito ao Transporte, o arquiteto e urbanista Nazareno Affonso, criou-se uma cultura do automóvel de tamanha eficácia que despertou em cada cidadão a ilusão de que é possível mudar sua vida se ele tiver um carro e de que a produção de carros é o principal dinamizador da economia.

“Será que isso poderia mesmo ser verdade? Será que precisamos de mais automóveis em nossas ruas congestionadas? E maior volume de contaminação do ar? E maiores níveis de estresse? E mais ruído?”, provoca o coordenador. Outra atitude tomada em conjunto – por entidades e municípios – é a realização da Semana Nacional de Trânsito, que acontece até sexta-feira (25).

As cidades que aderiram à Semana vão promover atividades voltadas à Educação para o Trânsito, tema eleito pelo Conselho Nacional de Trânsito (Contran), e que deve enfocar valores como gentileza, cooperação, tolerância e solidariedade, entre outros valores tão importantes para a construção de um trânsito seguro e harmonioso.

Aryana Aragão

Assessoria de Comunicação do Confea

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