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Transnordestina é amplamente debatida no Fórum dos Presidentes dos Creas do NE

Os trabalhos do segundo dia do Encontro Salgueiro, foram iniciados na manhã de hoje (10), com a presença do prefeito do município, Marcondes Libório. O prefeito falou da satisfação em receber os presidentes dos Creas do Nordeste e demais convidados. “Estamos vivendo um momento histórico e bastante profícuo na nossa cidade. As obras estruturadoras que estão sendo feitas nos fazem buscar, cada vez mais parcerias” disse, explicando que “pelo fato de estar localizado a uma distancia de 600 km de qualquer estado da região, exceto do Piauí, Salgueiro é considerado o ponto zero da região”.

Seguindo a programação do evento, que teve início ontem (09) e vai até amanhã (11), o assessor Técnico do Conselho Regional de Engenharia, Arquitetura e Agronomia de Pernambuco (Crea-PE), engenheiro civil Romildo Florentino, realizou painel sobre a Revitalização da Malha Ferroviária do Nordeste, tema também discutido pelo engenheiro civil Lyttelton Fortes.

Para abordar aspectos atuais da logística do transporte no País, Romildo Florentino fez uma retrospectiva desde o declínio do transporte ferroviário, quando houve a desativação de alguns trechos, seguida da privatização das ferrovias brasileiras. “Os fatos que estão acontecendo, aconteceram no passado e se não tomarmos medidas urgentes, tudo vai se dar do mesmo modo”, disse o palestrante.

Dados de 1997 da matriz de transporte apresentados pelo palestrante indicam que os investimentos em transporte no País são na ordem de 1,5%. Que são transportados, por 44 mil empresas do ramo, cerca de 1.939 bilhões de toneladas de produtos por ano.

O engenheiro civil chamou a atenção ainda para a necessidade da padronização da malha ferroviária existente e de reverter a matriz, de modo que seja adequada às atuais demandas econômicas e geográficas do Brasil.

Já o engenheiro Lyttelton Fortes disse que, ao chamar a obra de Nova Transnordestina, quer ressaltar as diversas alterações que o projeto sofreu ao longo dos anos. Para Fortes, “são alterações que eu não entendo”, afirmou, fazendo alguns questionamentos que justificam suas dúvidas: Há estudos de cargas para utilização da Transnordestina? Quais os critérios para a escolha do novo traçado em detrimento do anterior? Por que os trechos já existentes não foram restaurados ao invés da construção de novos? Qual o ordem dos recursos públicos aplicados? Por que locomotivas e vagões não estão contabilizados nos custos da obra? Por que não há divulgação do projeto atual que é praticamente uma caixa preta?

Na conclusão das indagações, Fortes afirmou que, “apesar de ser considerada uma obra de alto gabarito, sou a favor da restauração dos trechos já existentes”.

Ainda no período da manhã foram feitas exposições sobre a Transnordestina pelo diretor de Contratos da Construtora Odebrecht, Paulo Falcão, que falou sobre a obra, fazendo um pequeno histórico desde o leilão, em 1997, da malha ferroviária do Nordeste, quando foi firmado um contrato de concessão de 30 anos. Explicou que a Odebrecht atua na obra da desde 2009 e que o orçamento de R$ 5,4 bilhões é oriundo de financiamentos de instituições como a Companhia Siderúrgica Nacional (CSN), do Banco Nacional do Desenvolvimento (BNDES), do Fundo de Investimento do Nordeste (Finor) e da Valec – Engenharia, Construções e Ferrovias S.A. Também explicou que diferentemente do que foi dito pelo palestrante anterior, nesse valor, já está incluído o custo dos vagões e das composições.

De acordo com Paulo Falcão, a Transnordestina soma 1728 km de superestrutura e 774 km de infraestrutura, nos trechos que perpassam os Estados do Piauí, Pernambuco e Ceará. O trecho que inicia na cidade de Eliseu Martins, no Piauí, termina no Porto de Suape, em Pernambuco e, o trecho de Salgueiro, em Pernambuco, é concluído no Porto de Pecem, no Ceará.

A Construtora Odebrecht foi contratada para execução de 100% desses dois trechos que têm previsão de conclusão para outubro de 2012. Para tanto, segundo Falcão, são produzidos 4.800 dormentes por dia, estão empregadas 9 mil operários e mais 144 engenheiros, entre outros. A empresa ainda possui o Projeto Acreditar, que forma pessoas das comunidades para atuarem nas obras. Por fim, Paulo Falcão mostrou a Estrutura Organizacional da empresa.

Em seguida, o gerente de Superestrutura da Odebrecht, Isaac Tannus, explicou que parte do traçado da rede ferroviária terá bitola mista e que o deslocamento da brita, dos dormentes e da solda está sendo feito por processo totalmente automatizado.

Dilma Moura de Salgueiro/PE

ASC do Crea-PE

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