Desenvolvimento, Ética e responsabilidade social e ambiental deram o tom do segundo dia do CEP

Ao abrir a programação do segundo dia do 7º Congresso Estadual de Profissionais, no último sábado (15), o presidente do Conselho Regional de Engenharia, arquitetura e Agronomia de Pernambuco (Crea-PE), José Mário Cavalcanti, falou da importância de contar com a representação máxima do Sistema, se referindo à presença do presidente do Conselho Federal de Engenharia, arquitetura e Agronomia (Confea), Marcos Túlio de Melo. Para ele, a participação do presidente do Confea mostra o interesse na “revolução” que acontece em todo o Sistema.

O presidente ressaltou os excelentes resultados obtidos nos Encontros Microrregionais, com uma média de 100 participantes em cada um dos seis eventos realizados no Interior do Estado. Para José Mário, esta marca representa um indicativo do fortalecimento do Sistema e, consequentemente, dos profissionais. “Estamos marcando espaço e reafirmando a importância das profissões das áreas tecnológicas no processo de desenvolvimento do País”, disse.

Ainda se referindo ao bom momento da economia nacional, o presidente do Crea-PE chamou a atenção para momentos semelhantes na história do País ocorridos nos governos de Getúlio Vargas e Juscelino Kubitschek, os quais não tiveram continuidade e acabaram sendo precedidos por décadas de atraso. “Agora, o grande desafio dos profissionais será o de assegurar o desenvolvimento conseguido, o que representará um marco histórico que reafirmará a nossa participação no desenvolvimento do País”, concluiu entusiasmado, José Mário.

O presidente do Confea, Marcos Túlio de Melo, falou da satisfação em ver a movimentação e a grande participação nos CEPs realizados em todo o País. Explicando que, em princípio, foram planejados 500 pré-encontros para o 7º CEP, no entanto, esse número foi superado passando para 523 com a participação de aproximadamente 50 mil profissionais. Ele também falou sobre a estagnação vivida pelo setor tecnológico nos últimos 30 anos, quando ocorreram baixos investimentos econômicos com transferência de recursos para a especulação financeira e não para o processo produtivo do País. Para ele, temos um novo momento econômico em nível nacional e mundial com novas perspectivas, o que exige que se discuta o papel do Estado. “É importante que o mundo se repense. Que o Brasil se repense. Passamos por um momento diferenciado onde há um enorme crescimento com uma significativa falta de infraestrutura”, comentou.

Marcos Túlio ressaltou ainda, que o desenvolvimento tem que se dar de forma responsável, garantindo sustentabilidade ambiental para as próximas gerações. Já que temos uma legislação ambiental que serve de modelo para o mundo, precisamos conceber projetos técnicos capazes de causar menor impacto ambiental com discussão sobre as compensações ambientais que deverão ser implementadas nas áreas atingidas e por fim, também darmos especial atenção às questões relativas à demografia.

Segundo Marcos Túlio, o Brasil tem tudo para poder ocupar em 10 anos a 5ª posição na economia mundial. Diante dessa nova realidade, o presidente do Confea questionou: “Você está se preparando para os desafios desse futuro?”. Assim, convocou a categoria para se mobilizar e enfrentar os desafios. Lembrou a todos o ano eleitoral e a importância de trabalhar propostas e diretrizes para discutir com os candidatos, estabelecendo compromissos que poderão ser cobrados posteriormente. Por fim, falou sobre a participação do Confea na votação do projeto Ficha Limpa e da mobilização no Movimento Anticorrupção da Engenharia, da Arquitetura e da Agronomia, explicando que a articulação tem como meta eliminar a prática da corrupção que compromete a economia, a gestão pública e a privada, o desenvolvimento sustentável e a democracia brasileira.

Conferência – No sábado, o coordenador de Universalização da Energia Elétrica da Eletronorte e ex-presidente do Confea, Henrique Luduvice, focou seu discurso nos investimentos e nos modernos projetos técnicos que estão sendo concebidos para a construção das novas usinas brasileiras. Antes, no entanto, Luduvice disse que o Brasil está num patamar técnico bastante elevado e que o reconhecimento disso se comprova com a aplicação das tecnologias brasileiras nos mais diversos projetos.

Para exemplificar, o engenheiro apresentou um vídeo sobre o Complexo Tapajós, que terá capacidade para geração de mais de 10 mil MW. No novo modelo, com entorno inabitável, existirá apenas a construção da usina que quando concluída será operada por funcionários que se deslocarão das cidades até elas por meio de helicóptero, como acontece com os operários das plataformas de petróleo. Outro vídeo exibido por Luduvice ilustrou as dificuldades de uma família que vivia sem eletricidade e as mudanças ocorridas no cotidiano dessas pessoas depois da instalação da energia elétrica. Ainda segundo o palestrante, serão recuperadas as áreas de mata destruídas na construção dessas obras e executados os planos de compensações que a área necessitar. “A construção de um Brasil de oportunidades está no modelo das intervenções que possam refletir os interesses das atuais e das futuras gerações. Não há desenvolvimento sem energia”, concluiu.

Dilma Moura

ASC do Crea-PE